E lá se vão mais 100 anos

E lá se vão mais 100 anos do ditado popular: Cada um tem aquilo que merece! No mínimo uns cem anos, afinal não se sabe quando o ditado foi inventado nem o quanto de população precisava conhecê-lo pra ser ele popular. Você consegue acreditar que depois de todos os escândalos com o frango das merendas escolares, com os fuscas dados aos campeões de 70, depois de toda a rebordosa sobre o desvio de dinheiro público – no caso, o seu – para paraísos fiscais como os das ilhas Jersey, depois do Túnel Ayrton Senna e Jacú-Pêssego, depois de institucionalizar a bandalheira com o “Rouba mas Faz”; depois de tudo isso e mesmo com 8 processos em andamento na justiça, o Sr. Paulo Maluf ainda é o candidato mais votado segundo a simulação de intenção de voto?

Você acredita na programação da Tv brasileira que oferece “Vale a pena ver de novo”, “Vídeo Show”, “Big Brother”, que mostra incompetência aos domingos exibindo Fausto Silva ou Gugu e suas mil e quinhentas “vídeo cassetadas” repetidas, que repetidas vezes repete as mesmas repetições de matérias, documentários e notícias? E nas pessoas “cultas” (que tenham o mínimo de discernimento já vale) que criticam a Tv e sua programação, sua qualidade e segunda-feira, logo pela manhã, estão discutindo quem vai ganhar a “Dança dos Artistas” ou a matéria do “Fantástico” – que se for o caso de ler, podemos ler a revista VEJA que ficam elas por elas?

Dá pra acreditar em quem fuma cigarro, incomoda os outros com a fumaça e depois reclama do sujeito que jogou papel fora do cesto de lixo? Que falta de cidadania! Ninguém acredita naquele bando de motorista amontoado uns quase por cima dos outros, buzinando e reclamando, ligando e se desculpando pelo atraso do dia, mas todo mundo avança o sinal vermelho, faz conversão proibida e fecha o cruzamento falando ao celular.

Meia-entrada com carterinha falsa todo mundo compra (e com isso os cinemas e casas de show já embutem no preço final o prejuízo das meia-entradas), toma-se muito Yakult enquanto faz compras e nunca, nunca, paga no caixa e; depois de tudo que já aconteceu nessa curta vida democrática, Fernando Collor está quase senador por Alagoas, Lula quase presidente outra vez – mas fala baixo que ele não sabe de nada; nunca! -, a taxa do lixo continua onerando o bolso de quem mal pode pagá-la, assim como a provisoriedade da taxa sobre as movimentações financeiras oneram a permanente falta de finança, o que constitue em um paradoxo que tem relação zero com os recursos para a saúde.

E tudo isso por que? Porque o mal do Brasil é o brasileiro. E lá se vão mais 100 anos …

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4 Comentários on "E lá se vão mais 100 anos"

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Rapaz engajado!

  • diz

    Concordo com você, Rafa! Cada um de nós precisa fazer sua mudança pessoal para que a sociedade melhore.

  • Camila diz

    Hey! O meu namorado me deu de presente uma carteirinha falsa. :-O

    Vou falar pra ele ler esse texto. Muito bom, por sinal.

  • Camila diz

    Nossas contradições. Nossas hipocrisias.

    Muitas vezes me pego com os mesmos questionamentos. Mas será que só é culpa dos brasileiros mesmo? Ou da incapacidade do ser humano em desistir sempre quando se depara com atitudes que nunca são valorizadas. Acostumamos com o nosso meio. Deixamos de nos irritar pra nos manter frios nesse caos organizado.

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