Eu quero

As brigas que viram richas que viram guerras. Quem tem a razão, quem não a tem. Máquinas humanóides que somos e estamos. O que realmente importa na desgraça planetária? Quem fez o quê primeiro, quem fez por último. Quem quebrou o acordo, quem tem mais. Quem tem menos, fique com menos. Divida isso, tome aquilo. Dinheiro. Ouro. Alma. Quanto vale?

Um pedaço de papel que as pessoas acreditam valer alguma coisa. O dinheiro. Ele é isso: papel. Tem papel que vale mais, tem papel que vale menos e há aqueles que nada valem. Quem disse que aquele papel vale alguma coisa? Qual foi a pessoa que parou e disse: isso vale cem reais/dólares/libras/escudos/ienes? Porque você acredita que vale realmente o que dizem? Tanta evolução pra nada. Aliás quem disse que houve evolução? Talvez Darwin… Orgulhosos de nossa civilidade, não passamos, mesmo, de índios – sem menosprezo apenas atropologia da escrita – que trocam ouro por espelhos e escovas. Trocamos nosso tempo, por exaustão; nossa intelectualidade pelo reconhecimento: “Parabéns! você merece uns papéis. Corre lá pra aquele sujeito e diz que eles valem alguma coisa, quem sabe ele acredita em ti. Diz pra ele que estes aqui valem ‘um tanto’ de ouro.”

Ouro. O quanto este vil metal já não fez pela sociedade, pelos civis, cidadãos. Papéis que valem ouro e ouro que vale o quê? Quem diz quanto vale uma pedra quando acha? Vale mais porque tem menos? O quanto não devem valer as pessoas idôneas então? Quanta coisa a gente já suportou ver, fazer, ouvir por causa de uns papéis, por causa de uma pedra, um metal. Quantas lutas já foram finalizadas e quantas outras estão pra começar? Almas perdidas… quantos papéis eu precisaria para trocar por uma alma? Devem ser poucos afinal há milhões, bilhões delas por aí. Será que alma perdida vale mais? Quem achar é dele? Posso vender a minha? Já vendi dólar, já vendi ouro, quero vender almas agora.

Compartilhe!

2 Comentários on "Eu quero"

  • Camila diz

    Creio que as almas já foram vendidas, escravizadas, eu diria.Para deixar de trocá-las pelos papéis,um esforço imenso. Mas há aqueles que de certa forma conseguiram sair desse mercantilismo. A esses chamamos de loucos.

  • corpos, dignidade, ideologias, religião, personalidades, vontades, verdades, amor, tesão, prazer… tudo objeto do comércio da ilusão de uma vida bela. Fecha os teus olhos, fecha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *