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A última corrida - (07-10-2008) O cheiro de esgoto que subia era um odor qualquer. Grudava por dentro das narinas, e se ele tivesse prestado atenção perceberia que aquilo descia pela garganta como um chá quente de carqueja. HorrÃvel. Só que não ia para a barriga; estufava o peito cheio de ansiedade que esperava, à sombra, a coragem chegar para atravessar a fita de chegada. O dia quente com o ar parado, úmido, pastoso. Piscava lentamente enquanto o suor que se criava na testa, por baixo dos grossos fios de cabelo da franja, escorria pelas têmporas e tocava a barba cerrada que havia feito no dia anterior. Olhou o retrovisor e São Jorge protetor, pendurado, encarando com serenidade seu humilde servo. Se é verdade que sua vida passa sob seus olhos no caminho certo até o paraÃso, que fosse aquela, então, a sua hora. Com o pescoço tenso, balançou em gesto afirmativo a cabeça que vestia pela última vez o mesmo capacete. Até o momento a proteção que seu corpo sempre precisara. Pensou na mulher, na filha; beijou São Jorge, que até o momento protegera a sua alma e sempre trouxera, à galope, a coragem que vez ou outra titubeava. Pensou na filha mais uma vez. Pisou fundo. Foi tudo muito rápido como eu disse. Entre sair dos escombros retorcidos, ainda de capacete, e sacar a 9mm da cintura foram poucos segundos. Muito menos durou o assalto à joalheiria, já toda quebrada pelo Voyage 84, menos ainda para que um tiro disparado por um segurança de outra loja fizesse o seu trabalho. Sua filha adoraria ser uma princesa. |
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Volponi - link - volps@hotmail.com 09-10-2008 19:31
Eu iria comentar uma coisa, mas acho que não. |