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O Delegado, a Morena e o Escritor - (27-10-2000)

Uma delegacia como outra qualquer. Uma sexta-feira como outro qualquer. Um delegado como outro qualquer.

Rita, uma bela morena, entra na sala. O delegado, que estava com os pés em cima da mesa, se ajeita rapidamente quase caindo, e tenta fazer cara de homem sério.

- Boa noite. Em que posso ajudar a senhora ?

Rita, com aquele olhar que só as belas mulheres sabem dar, diz:

- Senhora, eu ?

- Não ! Quer dizer … Sim … ou melhor … talvez, só quis ser educado !

Nesse momento, o delegado já suava mais do que no dia de seu casamento, que aliás, estava a perigo com uma mulher como Rita na sua frente.

- Obrigada, mas acho que ainda não estou com corpo de senhora, estou ?

- Claro que não ! Com todo respeito !

- Você está nervoso, meu bem ?

Nervoso ?! Palhares (o delegado) estava em pânico ! Desesperado como nunca esteve. Essa era a primeira noite do ano em que não havia ninguém na delegacia. Nem um guarda. Nem um preso que fosse. Nada, ninguém. Só Rita e Palhares.

- Não ! Ou … sei lá … Ricardo ! Pelo Amor de Deus pára com isso ! Pára com essa crônica agora !

Ricardo, o escritor, ou seja … eu, não se comove com desespero do pobre personagem suado.

Rita levanta a perna, que aparece macia e roliça por entre a abertura da saia preta, no acento da cadeira em frente a mesa de Palhares.

- Você está com medo, meu bem ? Só por causa da minha beleza …

- Não é isso, dona. É que esse Ricardo é louco ! Ele é um pervertido mesmo ! Ele vai acabar com a minha vida. Nunca fiquei sozinho aqui. Só ele pra inventar uma crônica onde isso aconteça !

- Engraçado, eu não vejo nada de mau no nosso escritor. Aliás, os dedos dele deslizam deliciosamente sobre mim, neste momento. Aiii …

- Ricardo ! Eu tou falando sério ! Pára com isso ! EU SOU TORIDADE PORRA!!!

Ricardo se empolga com Rita e ela aproveita o momento.

- Gostou de mim, meu bem ?! (Rita usa novamente aquele olhar).

Ricardo não entende muito bem o que acontece e pensa.

- Como essa mulher está tentando me seduzir ?

Rita começa a passar a mão na sua coxa despida e diz:

- Uau bonitão, você nunca soube que os escritores sempre perdem o controle de seus personagens ?! Vem pra cá vem ?!

- Como ir para aí, Rita. Cê tá louca !

Palhares, recomposto (em parte) pelo choque, sorri e como se estivesse se vingando diz.

- Você já está aqui ! Você já entrou na estória, meu amigo. Senão não estaríamos conversando agora. Quem mandou criar essa mulher assim, agora nem você segura ela!

- Nem a pau !

Ricardo se enerva e continua escrevendo a história de Alfredo e Alessandra.

- Não foge não, gostosão ! Aqui é a Rita … Alfredo e Alessandra são novidades para mim. Mas se essa Alessandra for bonitona … Que tal a gente bater um papinho a três ?!

E então o Papai Noel virou-se para Joãozinho e disse:

- O seu presente de Natal é …

E retirou do saco, um embrulho enorme. Repentinamente o embrulho se rompe. Papai Noel sai correndo. Joãozinho começa a chorar. Rita, vestida de Mamãe-Noel da Playboy sai da caixa.

- Achou que com uma história infantil ia fugir de mim, né ? Quer seu presente, bonitão ?! Eu te dou agorinha mesmo …

- Rita, pega leve ! Eu namoro e tou muito bem assim !

- Tudo bem, meu amor. Você quem me criou, eu sou sua, e nem um pouquinho ciumenta …

CAROS LEITORES, O NEGÓCIO É O SEGUINTE: Eu não sei o que está acontecendo aqui, ok ?! Vou desligar esse micro agora, SAI FORA, RITA ! E vou andar por aí antes que essa doida comece a me comprometer. SAI DAQUI, MINA, VAI EMBORA !
Abraços a todos.



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Verônica Almeida • 05-10-2004 12:19

hahaha…Muito boa essa, não tinha lido ainda. Parabéns pelas crônicas! E…continue escrevendo.

Bjos!

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