Pelo amor de Deus, um dicionário !

Um dia desses eu estava conversando com alguns amigos, e um deles me disse que ouviu falar que popozuda significava mulher de bunda caída.

Ao ouvir isso, comecei a refletir (pasmo!) sobre a situação atual brasileira, e porque não, mundial.

Será que as pessoas não sabem mais o que falam? Só repetem o que ouvem por aí. Imaginem só, uma multidão gritando empolgada: “Só tem mulher de bunda caííída, mexe demais !” Isso é, no mínimo, ridículo.

Para confirmar meu abismo (conjugação do verbo “abismar”- Eu abismo, Tu Abismas, e etc), numa das aulas de Sociologia da Era Virtual, analisamos a nossa era atual, dominada pelo Tecnocentrismo (precedido do Antropocentrismo), onde conceitos como Tautologia, Hipertelia, Circularidade e Comutação, mostram o quanto que nossa sociedade é superficial e despreocupada com a significação (no sentido semiótico) dos termos.

Estamos na Era do “Achismo”. Hoje em dia, ninguém estuda mais nada profundamente, ninguém conhece nada profundamente. O simples fato de ler uma reportagem sobre fertilização de elefoas com óvulos de mamutes pré-históricos, já faz de qualquer pessoa, um profundo conhecedor de genética pré-história criogênica. E o que é pior, uma pessoa que lê essa reportagem, se sente no direito de, no meio de uma discussão de bar, dizer: – “Não ! Vocês sabem que de fertilização de elefoas eu entendo !” E todos se rendem ao argumento de autoridade do interlocutor. Sem nenhum contra-argumento.

Não estou nem falando dos erros e vícios de linguagem que vem se tornando cada vez mais comuns, inclusive dentro dos meios de comunicação de massa. “A nível de” já aparece em diversas publicações de livros (de qualidade duvidosa, mas ainda sim, livros), e o uso excessivo do gerúndio inunda os discursos de pseudo-intelectuais, cuja credibilidade permanece intacta, pela ignorância geral da população.

Os poucos sobreviventes, sentem-se cada vez mais isolados, como em pequenas ilhas de conhecimento rodeadas por um mar de bundas, peitos e silicones protuberantes e descartáveis. Não é difícil ver uma pessoa ser discriminada por utilizar o português corretamente, em uma conversa.
Isso tudo chega a ser revoltante. Mas o pior de tudo, é ver alguém reclamando da superficialidade da sociedade sem saber mais da metade dos termos que vomitou em uma crônica. Aliás, eu nem sei se popozuda realmente é “mulher de bunda caída”. Mas um amigo meu disse que ouviu falar que era. Deve ser verdade.

Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *