Sonhos de um Curso de Outono

Não tem jeito, se eu tivésse que escrever sobre algo, teria que ser sobre a viagem. Para quem não sabe, no começo de Fevereiro fui para Los Angeles com o meu cumpadre e também cronista Kris fazer um curso de cinema, e voltei no meio de Maio.

Acho que a coisa mais interessante e assustadora de uma viagem como essas é como percebemos a existência da relação “espaço-tempo”: num dia eu acordei na minha casa, fui para o aeroporto, peguei um avião e apenas 12 horas depois, mergulhei num mundo totalmente desconhecido, num mar de incertezas e desafios.

Todas as pessoas que faziam parte da minha vida desapareceram magicamente. Minha única relação com aquilo que eu sempre fui, foi reduzida a uma tela de computador com um contador no canto da tela jogando na minha cara o quanto custava isso tudo (em dólar, o que é pior !).

Lógico que depois de um tempo eu já estava adaptado, mesmo porque a vida lá também era ótima. O único (porém enorme) problema era a saudade, decorrente da consequente impossibilidade de estar com quem se tinha vontade. É muito chato não poder olhar nos olhos de quem você ama, com tantas coisas acontecendo na sua vida. Outra coisa chata também, é que nos EUA não existem barzinhos onde se possa ficar conversando com os amigos !

No meio do curso, já estávamos tão acostumados com o nosso “Brazilian Way of Life in America” que parecia que nunca deixaríamos de viver aquilo, mesmo quando voltássemos ao Brasil. É estranho, mas é a mais pura verdade. O café da manha seria pra sempre com “sausage biscuit”, e o fim de noite seria sempre com o “Friends”. Algo assim.

Depois que marcamos as passagens de volta, percebemos que tudo teria um fim, e ao contrário de quando saímos do Brasil, nunca mais vivenciaríamos aquilo. Chega a ser assustador sair de um supermercado que lhe abasteceu por 2 meses (sendo que fomos lá quase todos dias) sabendo que nunca mais você voltará para ele.

No dia de ir embora, fechamos para sempre a porta do nosso apartamento, desligamos para sempre o motor do nosso carro, e embarcamos de volta. Deixamos aquela vida … para sempre.

A chegada (tirando os probleminhas que o Kris teve na Alfandega ) foi maravilhosa. Nada melhor do que chegar em casa, e sentir-se acolhido por aqueles que você se importa.

Mas um coisa é muito estranha. A realidade vivida aqui é tão distante e tão diferente em todos os aspectos que muitas vezes desconfio que tudo aquilo não passou de um sonho. Bastou algumas horas na minha casa, que parecia que eu nunca tinha saído dela.

Pois é, apesar de tudo, estou de volta, escrevendo bem pior (acho que estou meio enferrujado), mas feliz por tudo o que aconteceu. E agora só resta esperar para ver o que virá daqui para frente.

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