Pode Ter Certeza de que Freud Explica

Um dia desses, eu estava dentro de um elevador conversando e rindo com um amigo quando ele se abaixou para amarrar o tênis. No exato momento em que ele segurou o cadarço, sua cabeça se dirigiu em direção ao meu joelho. A situação estava perfeita e não resisti: com uma joelhada quebrei todos dentes da boca dele, desloquei sua mandíbula, e ele caiu inconsciente, sobre seu próprio crânio. A porta do elevador se abriu, e nós saímos conversando assim como entramos.

Se você leu atentamente esse parágrafo, pôde perceber que é impossível que a história seja totalmente verdadeira: Ou eu não dei a joelhada nele, ou ele caiu no chão e lá ficou, mesmo depois que a porta se abriu.

Felizmente ficamos com a 1ª hipótese. Mas então porque escrevi isto desse modo tão bizarro ? Se eu fosse o Jânio Quadros responderia: fi-lo porque qui-lo… Como não o sou, explicarei: O que eu escrevi lá, foi apenas uma representação fiel ao que eu acho que poderia ter acontecido.

Muitas vezes em nossas vidas, temos vontades de fazer coisas, pelo simples prazer de fazer, e gostaríamos que isso não causasse nenhuma conseqüência, que não a realização destes nossos desejos. Infelizmente não é possível (e talvez isso seja bom, porque senão, não teríamos muitas diferenças em relação a um cachorro, certo?).

Mas às vezes isso me incomoda. Temos que reprimir muitos dos nossos impulsos. Outro dia, um cara se dirigiu a mim num shopping, e ficou em tal posição que tive que me segurar para não emendar um direto de esquerda no seu olho. Juro para vocês, tenho certeza que o golpe teria sido uma obra de arte, ele cairia paralelamente ao solo, como uma jaca despencando da árvore. Mas por favor, me entendam! Eu não queria machucar o rapaz. Queria apenas dar aquele soco, porque foi uma oportunidade única.

Nem me atrevo aqui, a escrever qual seria o comportamento das pessoas na praia ou numa balada (pensando friamente, em qualquer lugar que exista um homem e uma mulher) se não precisassem pensar nas conseqüências de seus atos.

Alguns pessoas conseguem lidar muito bem com essas vontades. O cantor de rap Eminem é uma delas. Ele já matou (e fez coisas piores com) a sua mãe, já trancou a namorada grávida num porta-malas e jogou o carro de uma ponte, já cortou a garganta da mãe de seus filhos até a morte, entre outros AARI (atos de auto-realização inconseqüente). Tudo isso, logicamente, dentro de suas músicas… Mas conhecendo-o um pouco, todos sabem que na hora em que escreveu o texto, esta era a sua maior vontade. A atitude do cantor é bem mais inteligente que a do atacante Edmundo (que também não tem um super-ego tão super). Ou do que aquelas pessoas que reprimem tanto seus AARI’s que acabam virando pobres loucos recalcados (como o Batman, por exemplo).

Gostaria de viver, pelo menos algumas horas por dia, num mundo (a realidade-virtual já me satisfaria) onde eu pudesse fazer tudo (eu disse ABSOLUTAMENTE TUDO) que quisesse. Incluindo o suicídio, é claro.

Enquanto isso não é possível, fico escrevendo crônicas para ver se alivio meus anseios sem machucar o próximo, magoar aqueles que amo, e quem sabe até, provocar algumas boas risadas.

Ahh… falando em AARI… só uma coisa: LOUCO É A MÃE !

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2 Comentários on "Pode Ter Certeza de que Freud Explica"

  • malena diz

    hj eu queria isso. :(

  • malena diz

    hj eu queria isso. :(

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