O cara-que-plantava-bananeira

Eu nunca plantei bananeira. E por causa disso nunca tive apelido e nem fui dos mais populares no ginásio. Também nunca fui amigo das meninas de nomes monossilábicos, como a Jú, a Rê e a Bi (vide crônica “Sílabas”, meu colega, Paulo Coelho).

Qualquer garoto que fez o 1º grau nos anos oitenta sabe do que eu estou falando. Todos aqueles que jogavam bem bola, eram maus alunos (e quase sempre repetentes, afinal, ser bom aluno queimava o filme!) mas ainda sim eram adorados por algumas professoras pela sua espontaneidade e criatividade, e mais ainda, eram venerados pelas Jús, Rês e Bis, tinham um traço em comum: todos eles plantavam bananeira !

Aquela forma curiosa de andar com as mãos, com a camisa caindo e deixando a mostra uma correntinha dourada representava muito mais do que uma demonstração espetacular de equilíbrio. Ao executar essa manobra, o animal do sexo masculino mostrava aos outros machos da tribo sua capacidade superior, e portanto, deveria ter direito ao primeiro pedaço de comida da presa (leia-se: aquele gordo bobo que sempre pagava o lanche pra ver ser virava amigo da turma) e também, poderia escolher a fêmea mais saudável (leia-se: gostosa) para fins reprodutivos (leia-se: experimentos sexuais, estes variando de acordo com a série escolar).

Para piorar a situação dos caras-sem-apelido, os caras-que-plantavam-bananeira só se manifestavam em grupos. Portanto, se você o encontrasse um dia sozinho no shopping, ou então, em uma viagem de Ano-Novo com a família, ele até conversaria com você. Porém, dentro do seu habitat natural, um cara-que-planta-bananeira nunca se relaciona com um cara-sem-apelido, a não ser para pedir cola numa prova ou para um assunto pendente qualquer.

Todos nós (caras-sem-apelidos) nem nos atrevíamos a plantar bananeira, já que sabíamos que sempre seríamos pessoas legais, mas nunca populares nesse nível. De vez em quando, talvez, poderíamos até dar um salto espetacular, fazer um gol de causar inveja a todos, ou mesmo dar um fora num professor, arrancando os aplausos de toda a classe, mas todo esse sucesso e fama, seriam passageiro. Jamais uma bananeira!

O curioso é que com o tempo, e a idade, vamos percebendo a desimportância dessas coisas. E mais curioso ainda, é ver como muitos desses caras(-que-plantavam-bananeira) não percebem isso, acabam plantando bananeira para o resto da vida, como aqueles velhos seresteiros que cantam na porta de um boteco qualquer, para ver se conseguem fazer o tempo (e a glória) voltar. Plantando bananeira, é claro.

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