O Padre, a Loira e a Liga

Como todo cronista que se preze, eu sempre fui uma pessoa curiosa. Esta curiosidade já me colocou em situações não muito agradáveis, como quando pesadelei (se existe o verbo sonhar, porque não “pesadelar”?) durante uma semana com a Bozolina (algo próximo do Lombardi, só que no programa do Bozo). Mas isso é história pra outra crônica.

Sempre que via um padre, ficava me perguntando que espécie de gravata borboleta (sem asas) branca era aquela que eles usam, dentro da gola.

Pesquisando em mosteiros, documentos proibidos, e outras várias fontes, que não merecem ser citadas aqui, acabei descobrindo a verdadeira origem deste curioso artefato.

No início do século XX, nos tempos do charleston, todo Mundo sofria um sério problema com a proliferação de bordéis, já que o “stress” abatia a maioria dos pais de família. A revolução sexual ainda estava longe de acontecer, portanto, a única opção que os cansados operários tinham para liberar a tensão absorvida nas linhas de produção (Carlitos que o diga), eram as casas de tolerância.

A Igreja Católica, sempre preocupada com a moralidade, resolveu atacar esse mal pela raiz. Como a inquisição já havia acabado (e não pegaria bem para os padres andar por aí com um lança-chamas queimando todas as moças de reputação duvidosa), foi decidido que cada cônego entrasse nas casas com abajur vermelho pelo menos uma vez ao dia, o que constrangeria os clientes de tal forma, que pouco a pouco, a demanda para esse tipo de serviço, digamos específico, iria diminuir até um ponto aceitável.

O que eles não contavam, era com o poder de sedução das mocinhas de vida fácil. Ao encarar o diabo de frente, os jovens (e inocentes) padres acabavam se atrapalhando, e muitas vezes não continham suas pulsões reprimidas por anos e anos de monastério. Resultado: Os pais de família se sentiam até aliviados ao verem que nem os representantes do Senhor resistiam às tentações, e o tiro da Igreja acabou saindo pela culatra.

Um dia, porém, um jovem padre francês resolveu virar o jogo. Foi ao bairro mais sórdido de Paris, entrou no mais famoso cabaret da Europa e esperou que a grande estrela da casa começasse seu jogo de sedução. Todos queriam ver em quanto tempo a moça domaria o pobre coitado.

Nicole (a grande estrela) surgiu no palco. Linda, loira, com um vestido de levantar morto, e o que era pior, dançando. E como dançava a bela Nicole. Padre Jean-Pierre (esse era seu nome) se ajeitava na cadeira, tentando disfarçar o turbilhão de sensações que percorriam seu corpo. Quanto mais ele tentava se conter, mais ela aproximava. E dançava, ah como dançava!

Aos poucos, Nicole foi encurralando os olhares e atenção de Jean-Pierre, até que sentou em seu colo, e num cruzar de pernas criminoso, deixou a fenda da saia se abrir, mostrando sua escultural perna envolvida por uma invejada cinta-liga branca.

Pagando todos seus pecados, Jean-Pierre começou a abraçar a moça, que apresentava um leve e jocoso sorriso. As mãos do jovem começaram a percorrer as longas pernas que se levantavam lentamente. Pé, tornozelo, joelho… ante-coxa ……. coxa. Seus olhos se fecharam, e sua boca se aproximou da face da meretriz, que já dava por certo a vitória.

Quando todos menos esperavam, Jean-Pierre agarrou a liga da perna direita da moça, e num só puxão, arrancou-a de sua perna. Como um troféu, levantou-a e, se esquivando rapidamente da moça que ainda tentava beijá-lo, disse:

– De hoje em diante, carregarei em meu pescoço essa liga, como prova de minha abnegação e lealdade ao Senhor. Todos que aqui me olham, saberão que eu, homem comum, de carne e osso assim com vós, resisti à tentação em prol dos preceitos que me regem. Levarei esse objeto danado para onde for, mostrando a quem quiser ver, a vergonha que sinto de vós e todos aqueles que se tornaram reféns de seus instintos primatas. Espero, e lutarei como puder, para que a decência volte a imperar em nossa sociedade, e assim sendo, retiro-me deste antro com a certeza de que a vontade divina será cumprida.

Jean-Pierre colocou a liga por dentro de sua gola, e saiu sendo seguido por todos os homens, que viram credibilidade naquele que resistira a maior de todas tentações (Nicole dançando de liga branca).

Rapidamente a história se espalhou no mundo ecumênico, e o Vaticano, sabendo do poder dos fetiches, distribuiu a todos os padres ligas brancas, para que estes seguissem o exemplo do jovem francês.

Em pouco tempo o problema estava resolvido, e o Alto Clero pode descansar em paz. A única pessoa que não descansou em paz, nunca mais, foi a pobre Nicole. Como ela poderia saber que o seu fracasso acarretaria na maior recessão de todos os tempos no mercado de entretenimento adulto? E para piorar sua triste condição, ela não conseguia nem se confessar para se sentir melhor… Aquela cinta branca no pescoço dos padres a fazia chorar. Compulsivamente!

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1 Comentário on "O Padre, a Loira e a Liga"

  • diz

    HAHAHAHAHAHA!

    Santa criatividade, Mamute!

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