Baseado em Fatos Reais

Teco era um cara normal. Tinha pouco mais de um metro, vivia nas savanas, alimentava-se de raízes e de pequenos vertebrados e capacidade craniana de 500 cm cúbicos. Para orgulho de todos na família, já adotava postura ereta, e estava pronto para evoluir, pois até empunhava pedras e bastões.

Num dia qualquer, Teco estava reunido com uns amigos, numa savana qualquer, e resolveram bater pedra pra ver no que dava. Surgiu então o batuque.

Há 2 milhões de anos atrás, ainda não existia o ritmo, mas Teco (com seu instinto animal) sabia que isso podia ser legal. As fêmeas já estavam até pagando pau pro grupo deles (corre um boato que a entrada do show do “Teco e os Primatas” eram 2 paus, mas ainda não há embasamento científico que comprove isso).

Quanto mais o Teco se interessava por esse negócio de fazer um
sonzinho, mais tarde ele acordava e menos tempo para caçar ele tinha. Isso gerou um certo desconforto entre os parentes, já que um tal de Homo Habilis estava aparecendo, e se eles não se preocupassem com as responsabilidades que tinham, poderiam até ser extintos! Mas Teco não estava nem aí. Se já soubesse falar, certamente diria que a arte dele valia muito mais do que qualquer caçada de mamute.

O problema é que depois de um tempo, a novidade já não era tão nova, e Teco começou a perceber que o público era muito volúvel. Para piorar, e muito, a situação, os pais das suas macacas de auditório tinham as proibido de copular com aquele “vagabundo”. Sem público ele até podia ficar, mas sem fêmea ?

Num outro dia qualquer, então, Teco resolveu largar a música.Passou a levantar cedo. Todo dia acordava de manhã, ia caçar comida. Começou a plantar umas raízes, garantindo assim a subsistência.

Logo os resultados apareceram: as fêmeas voltavam a se interessar por ele, a família se sentia orgulhosa, mas Teco ainda sim, não tinha se convencido se era isso mesmo o que queria.

Meses depois Teco procriou com uma fêmea ajeitada que conheceu depois do trabalho. Era um pai de família agora, e tinha que garantir o pão, quer dizer, o vertebrado de todo dia, sem falta. De segunda a segunda (embora não soubesse que a semana existia). Todo dia fazendo tudo igual. Acorda, caça, planta, come e dorme. A Jane (sua esposa) não se interessava mais sexualmente por ele. Sua vida não tinha mais graça.

Num domingo a noite, no horário que milhões de anos depois foi ocupado por Glória Maria e Pedro Bial, Teco saiu pra andar por aí.Começou a caminhar e lembrar de tudo que tinha vivido. Ele tinha certeza absoluta que era mais feliz na época do batuque, mas sabia que se quisesse garantir sua sobrevivência não podia perder tempo com aquelas “besteiras”. A angústia foi aumentando quanto mais pensava no que sua vida havia se transformado. Seus amigos de banda pareciam ter esquecido do passado. Seus atos tornaram-se mecanizados. O prazer totalmente limitado. E então, pela primeira vez na História, um hominídio chorou sem motivos físicos. Simplesmente, ele chorou.

Quanto mais chorava, mais rápido Teco caminhava, como se estivesse procurando a resposta para tudo aquilo. Até que o chão acabou. Teco estava no topo do penhasco mais alto daquela área.

Olhando para baixo, ele via “sua casa” e toda região que vivia hoje. Lá de cima, percebeu o quanto tudo aquilo que havia criado graças a sua “nova postura responsável” era pequeno. Percebeu que nada daquilo tinha valor próprio. O valor fora criado por todos os que viviam lá. E esse valor estava errado…

Sem mais esperanças, como que se libertando de tudo aquilo, Teco, que já nem lembrava mais como se batia pedra, pulou. Sem saber, inventou o suicídio, e se rendendo, assinou o Contrato Social de toda a Humanidade.

Daí por diante todos já sabem o que aconteceu.

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7 Comentários on "Baseado em Fatos Reais"

  • Paulo diz

    E precisa???

    Excelente!!!!!!!!!!

  • Volponi diz

    Eu sabia! Eu sabia que em algum momento da nossa história alguém tinha assinado o Contrato Social !! Maldito Durkhein !!! eheheheeheh….

    (ficou duca…)

  • Kris diz

    É mamute, se já existisse o cronistasreunidos.com.br ele não teria se jogado…muuuuuito boa…

  • Rafael diz

    Carinha, hehehehe…………pula véio, pula! hehehehehe

    Tesão, puta história comovente.hehehe

  • Ricardo diz

    Valeu mamutada, se tiver mais algum comentário, vou começar até a acreditar que é tudo verdade! hehehe

    Valeu mesmo!

  • To até emocionado!

  • Então pode começar, baby!

    Tive que deixar vc na iminência da crença pra ver se chegava às suas próprias conclusões… chegou? Se ainda não, deixa dar uma forcinha: show! Show de consciência! Além de excelente, extremamente didática.

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