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Falando no Chuveiro - (28-10-2001) A maioria das pessoas canta no chuveiro. Pelo menos é o que elas dizem. Eu não, já que as paredes têm ouvido, prefiro poupá-las. Mas sou humano, e se tem um momento em que posso descarregar todas minhas aflições e agonias, é no banho. Só que faço isso de uma forma diferente: eu represento. Como cronista amador que se preze, eu sempre tento olhar o cotidiano de uma forma inusitada. Isso já me colocou em situações ridÃculas, como quando deitei no chão do banheiro, debaixo da pia, para entender como é a visão de uma barata se escondendo. Essa busca incessante por uma análise “descolada” do meu dia-a-dia tem seu ápice no meu banho. Onde faço meu show particular de “Stand-Up Comedy” (aqueles shows onde um humorista fica no palco, sozinho falando um monte de besteiras pra platéia). Pelas minhas contas, já fiz mais de 500 espetáculos, discutindo sobre os mais variados assuntos: A trajetória do sabonete num banho comum (num dia sem muita idéia), a trajetória do sabonete num banho a dois (na época em que eu era feliz), e diversos assuntos mais. Mas na última temporada, confesso, só um assunto surge na minha cabeça. Eu entro no palco, abrem-se as torneiras e começo: “Quando um não quer, dois não fazem muitas coisas (pausa para os pingos me aplaudirem) : Brigam, conversam, jogam pingue-pongue, se beijam, namoram e até, a não ser em casos extremos, copulam. Toda e qualquer forma de relacionamento humano depende única e exclusivamente da vontade (ou necessidade) das pessoas envolvidas. Quando A e B se encontram, temos 4 situações possÃveis: -O A quer e o B também, isso é bom, veremos risadas, beijos, abraços, carinhos … enfim … como diria Tim Maia, o que importa é o amooor! -O A quer e o B não. Partindo-se do pressuposto que o A é um homem e o B é uma mulher, a situação se complica. Veremos vários copos de cerveja na mão do A pra conseguir abordar o B, veremos papinhos ridÃculos como: Belle e Sebastian pra mim é TUDO!, veremos o A se expondo ao ridÃculo e o B vendo seu ego crescer, crescer e crescer. Veremos os amigos do A rachando o bico da cara dele depois do pé na bunda que ele tomará, e finalmente, veremos o -O A não quer e o B quer. Se continuarmos pensando na condição anterior, dizer que o A não quer é só uma questão de tempo. O B tem diversos recursos para mudar a opinião de A, a não ser que esse B seja tão feio que pareça um W, e o A esteja ainda sóbrio. -A e B não querem. Isso é bom, aliás, é a mais fácil de todas a situações. Nada acontece. Não tenha dúvida que as situações 2 e 3 são responsáveis por quase todos os problemas da humanidade.” E por aà vai … O mais interessante é que quanto pior está a vida, mais engraçado fica o show. Já teve caso da água se recusar a entrar pelo ralo, até eu atender aos pedidos de “bis”, quase afogado dentro do box. Se as coisas continuarem assim, tenho medo de inundar o bairro. Afogado no sucesso. |
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Gabis - gabifonseca@yahoo.com 02-11-2001 10:22
Belle e Sebastian não é o máximo!!! Conferi no Free Jazz desse ano.. É no máximo bonitinho… agora o Grandaddy não deu para aguentar. Quanto ao chuveiro Ri, acho que no meu caso ensaio conversas que nunca acontecem.. coitado do box que já teve que ouvir muito, mas ele teve os seus momentos de glória quando gabis - no auge dos seus 12 aninhos- treinava bitocas contra o vidro jateado. |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 06-11-2001 01:13
Achei a crônica e principalmente a teoria muito interessante. Concordo e não vejo machismo algum nessa história. Essa foi só uma observação bem-humorada do que rola no cotidiano. É só uma questão de estatÃstica, de analisar a curva normal. É claro que mulher leva fora, mas são casos isolados. Vamos parar com essa paranóia de achar que tudo é machismo. A teoria é muito boa e engraçada. |
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malena 30-11-2005 08:31
genial! |