Eu e a Coruja

Andando por velhas estradas, olhando o Sol de manhã, eu vejo um pássaro cantando. Na verdade, uma coruja.

Me aproximo. Ela me olha com aquele olhar de coruja. Eu movimento a mão na direção de sua cabeça. Quando meus dedos começam a resvalar suas penas, ela dá um pulo pro lado, e assustadoramente, diz:

-Tira a mão do que não é seu !
-Heim ?!
-Não, “Heim?!” é a sua crônica de 3 semanas atrás, agora é “Eu e a Coruja”.
-Peraí, muita calma nessa hora. Como é que você está falando comigo agora, e ainda por cima, sobre coisas que aconteceram na minha vida, anteriores à sua existência.
-Eu sou uma coruja falante, qual é o problema nisso ?
-Mas então você é uma criação minha que …
-Pode parar ! Lá vem você forjando aquele papinho ” Eu sou um personagem que saí de dentro de você, mas agora fugi do seu controle”. Qual é Ricardo, isso é tanta falta de criatividade assim ?
-Além de irreal, você é bem folgada!
-E você, sem graça ! Sem graça e preguiçoso, que esse primeiro parágrafo é plágio de um improviso do Oswaldo Montenegro.
-Menos a parte da coruja …
-Pois é … hahaha … quem diria …
-Ahá !
-Que foi ?
-Agora foi você quem começou com essa historinha de “você não sabia do que a Dona Coruja era capaz, quando me criou”.
– E daí, o texto é seu. Você me usou, pra fazer a mesma sacadinha canalha. A responsabilidade continua sua. Que feio !
-Então que “catso” a gente está discutindo aqui.
-Num sei, uma das coisas que você poderia falar, que é pra discutir a relação artista-obra, e todas as implicações desta, na vida deste.
-Boa!
-Ou então, sendo mais metido a besta, da criação Divina, que fugiu do controle do Senhor, a ponto de um anjo ter se rebelado, tornando-se seu maior inimigo.
-Nossa!
-Ou ainda, uma tentativa frustrada de imitar o Veríssimo que começa um texto falando sobre uma situação banal, e no final, usa isso como exemplo para provar, ou criticar, algo realmente importante.
-Sabe que acho que você está certa.
-Agora se fosse eu, usaria isso para dizer que só porque o nome popular da minha espécie está no feminino, não significa que eu seja a Dona Coruja. Sou macho, pô!
-Então tá, desculpe …

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3 Comentários on "Eu e a Coruja"

  • Renata diz

    MUUUITO BOM!

  • paulo roberto vasconcellos diz

    Apesar de não saber absolutamente nada sobre o Oswaldo Montenegro, essa foi uma das cr6onicas suas que eu mais gostei (pelo menos das que eu li). Tem um lance meio despretencioso… Tira um barato de algumas estruturas manjadas… E tudo isso com uma puta cara de improviso. Muito legal!

  • Anninha diz

    Adorei, Ri!!!

    Não conheço esse babado do Oswaldo, não. Achei um texto gostos, inesperado/sem rumo certo… mto legal mesmo!

    Bjos

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