Pressa

Tenho 12 minutos pra acabar essa crônica. Xiii, já perdi um pouco, tou vendo um especial na TV do Dizzie Gillespzie (eu sei que está errado, mas se for procurar o certo vou perder mais tempo ainda). É um programa de Jazz gravado nos anos 60, só com monstros como Charlie Parker, Louis Armstrong. Por sinal ele está tocando Tom Jobim, no trompete, agora.

E isso não tem absolutamente nada a ver com o que eu queria escrever. Mesmo porque os 12 minutos já passaram de longe, e eu só cheguei aqui.

Essa falta de qualquer coerência e coesão (que aprendi serem coisas diferentes, mas já não tenho forças pra lembrar o porquê) pode ser explicada pela total loucura que virou minha vida.

Trabalho nas horas mais loucas, e quando chego em casa, na hora de sair, não encontro mais ninguém porque qualquer pessoa normal já arranjou programa, aí sou obrigado a sair de casa sozinho e dar uma volta só pra ver pessoas se divertindo, tentando captar a alegria por osmose.

Acabei de consultar o yahoo, Dizzie Gillespzie se escreve Dizzie Gillespie. Menos mal. Já consegui esquecer um pouco o horário e relaxar a ponto de consultar até uma fonte, para não errar em algo que eu prezo tanto. Minhas crônicas.

Aliás, me desculpem porque esse texto não está à altura do cronistasreunidos, mas não posso ficar tanto tempo sem escrever.

O pior vai ser ouvir todo mundo falando: “Lá vem o Ricardo com as suas crônicas metalingüísticas canalhas … “. Tudo bem, eu reconheço : É mesmo !

Umas das piores sensações do mundo, é a de criar algo horrível sabendo que esse algo vai piorar mais, quanto mais você insistir. Algo como o chute de trivela errado. Você já sabe que vai quebrar a janela da vizinha, mas sabe que é seu dever terminar aquele movimento trágico. É assim que eu me sinto agora. Tenho que terminar esse chute, a janela vai quebrar, vai doer, e ainda devo ter um prejuízo grande.

Dizzie Gillespie, trabalho, 12 minutos, loucura, e chute de trivela errado. Sem dúvida essa crônica pode ser considerada um grande aborto. Pra ser mais acadêmico: a pressa é uma merda. Mas tudo bem, pelo menos eu me aliviei acabando com ela (em todos os sentidos que essa frase por ter!). Acabando, no gerúndio, porque ainda não acabei, se tivesse acabado, pretérito perfeito diria: Acabei.

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8 Comentários on "Pressa"

  • Metalinguagem! Metalinguagem! Metalinguagem! (imagine um menininho de 4 anos apontando e gritando para um bicho que acabou de conhecer no zoológico).

  • Paulo diz

    Olha, pilantragem ou não, muitos dos seus momentos legais acontecem nessas viagens metalinguísticas… Pode não haver coerência, mas tem coesão. Tem sim!

  • Anninha diz

    Ri, sendo aborto, metalinguagem, viagem ou crônica, eu gostei do mesmo jeto!

    Vida de gente que faz é essa loucura, essa confusão mesmo… não há como escapar!

    Bola pra frente! (é o máximo que posso dizer, já que não faço idéia o que seja um chute de trivela errado! *rs*)

  • Ricardo diz

    O chute de trivela errado, é sempre uma chute de bica (famoso bicão) para o lado que o seu nariz estiver apontando …. normalmente para algo que quebre ou seja caro….

  • paulo roberto vasconcellos diz

    Quem tem pressa come cru. Ainda bem que existem os sushis.

  • Se a crônica não passa pelo tamanho, passa pela largura. Você tem um belo estilo, simples, inteligente e nutritivo. É como comer um prato de massas na cantina italiana. É saboroso, dá energia e não pesa como o churrasco. Tá bom, sei que não teve nada a ver, mas foi a pressa…foi a pressa. Um abraço do interiorrr com pão de quijo, guaraná 180ml e paçoquinha – duas – pois ajuda na criação e na procriação!

  • Renata diz

    Obrigada pela explicação do chute de trivela.

    Não acho que as crônicas metalinguísticas sejam canalhas.

    E agora eu vou, estou com pressa porque estou no trabalho e alguém pode me ver aqui fazendo coisas não trabalhais.

  • Eu mesmo diz

    Você comprovou para todos nós, seus leitores, que a pressa é inimiga da perfeição. Parabéns, cara. Mas não dizem também que os opostos se atraem?

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