Uma Noite Qualquer

Era uma festa típica dos anos 2000. Muita bebida, algumas drogas, techno inundando os ambientes e gente de todos os tipos.

Almeida circulava na pista meio perdido. Ele não estava mais acostumado a festas assim. A calça jeans com cinto e a camisa de botão já não faziam o sucesso de antigamente. O velho cigarro de cravo Gudam Karan, então, nem pensar!

Quando ele começava a se empolgar com algumas músicas mais parecidas com as do começo do anos 90, a batida parava, as pessoas continuavam se movendo e algo estranho acontecia, como um discurso do Martin Luther King, ou então Deus falando sobre a sua suprema criação.

Kelly Maluquete se aproximou dele e com um ácido na ponta do dedo e disse:

-Fala aí, Mino! Bem loco esse seu visu meio retrô.
-Acho que é naquela porta ali, mas cuidado que vi um cara entrando lá, há uns minutos atrás.

A música estava muito alta.

-Taí, o Lóqui nem tchum proqu’eu falei!
-Olha, pra ser sincero, também tou procurando algo pra comer. Você viu algum docinho por aí !?

A música estava definitivamente alta.

-Tá na mão, trutinha!

E sem que ele esboçasse qualquer reação, Kelly enfiou o seu dedo doce dentro da boca do Almeida, que não entendeu nada. Ele estava com fome, mas nem tanto.

Kelly, então, começou a beijá-lo, lambendo seu dedo, sua língua, tentando roubar um pouquinho daquele ácido, e ele que só fechou os olhos depois de uns 10 segundos de beijo, resolveu entrar na dança, se é que tinha dança para aquele bate-estaca maluco.

Quanto mais tempo passava, melhor Almeida e Kelly Maluquete se entendiam. Ou melhor, ele não entendeu uma palavra do que ela disse, e ela adorou aquilo.

Lá pelas 07h30 da manhã, Almeida já estava deitado no meio da pista olhando para o céu estrelado, e mostrando as poucas constelações que conhecia para Kelly Maluquete e um gnomo que conheceu um tempo depois do doce beijo.

Kelly gargalhava, já que eles estavam deitados dentro de uma sala fechada, e não havia céu, estrelas e muito menos gnomo. Aquele cara sabia divertir uma mulher como ela.

Logo depois, os dois começaram a dormir. Ali mesmo, no meio da pista.

No final da tarde Almeida acordou, sozinho. Não havia mais ninguém dentro da sala. Ele procurava o céu estrelado, aquela garota doida que ele nem conseguiu saber o nome, e até o anão engraçado que conheceu durante a noite. Ninguém estava lá.

Sem opções, Almeida foi embora e nunca mais teve uma noite como aquela.

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3 Comentários on "Uma Noite Qualquer"

  • Anninha diz

    Coisas assim são singulares. Que bom! Do contrário perde a graça! *rs*

    Quem sabe na próxima o Almeida conhece a Fada Verde?!?! *rs*

    Benvindos de volta!

    Bjo

  • paulo roberto vasconcellos diz

    pô, vou ter que jogar fora minha camisa xadrês, meu cinto trançado e o meu fareheit… Vou ter que vender meu gsi conversível… Aí quem sabe eu vejo a “mulherada muito louca com doce na boca” como diz o idiota do Charle Brown JR.

    Agora, falando sério, essas noitadas parecem um pouco vazias. Como a pista de dança que o nosso Almeida encontra ao acordar. É um pouco deprimente. Ainda mais quando a gente se sente velho tendo apenas 27 anos. Ou anacrônico.

  • paulo roberto vasconcellos diz

    lembrei de ter ouvido uma conversa de dois adolecentes: um cara tava falando pra menina que a galera da geração dela é totalmente diferente da dele, na época dele era diferente, coisa e tal. Detalhe: Ele tinha 17 e ela 15. Vai entender.

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