Lições

Quando nascemos, sabemos pouco da vida. Com o passar dos anos, vamos acumulando conhecimento e sabedoria, e quando menos nos damos conta: viramos adultos.

Por mais que tentemos evitar, alguns processos de aprendizado podem ser difíceis e dolorosos, mas nunca evitáveis. Um dia ou outro, você terá que passar por eles.

Os amigos são a principal influência para um garoto de 12, 13 anos. E nesta idade, o pequeno jovem começa um longo e árduo processo de ensino que resulta na vida adulta.

Eu posso dizer que tive uma grande sorte em ser o mais novo (segundo mais novo, na verdade) da turma, e portanto, sempre tive um aprendizado precoce, se comparado aos garotos da minha idade.

O Fábio, um grande amigo que tenho até hoje (3 anos mais velho), foi um dos meus principais mestres nesse treinamento para o rito de passagem da vida infantil.

Como um sábio que vê potêncial em um pupilo esforçado, ele frequentava minha casa diariamente das 18h00 às 19h30, entre o horário que eu chegava da escola e a sagrada hora da janta, e ficávamos estudando importantes lições ao som da Jovem Pan, Transamérica e Nova FM (quando estas quase só tocavam dance music).

Na janela do meu quarto, tive a minha primeira grande lição: “Estalar os dedos” – um homem não pode ser chamado como tal, se antes de uma briga, ao intimidar o adversário, não estalar os dedos sonora e agressivamente. É bem verdade que quase quebrei meus dedos, várias vezes, de tantos apertá-los na ânsia juvenil de aprender essa tão importante tarefa. Aliás, não consigo estalar a parte inferior do meu dedo anelar esquerdo até hoje, por causa disso. E levo essa sequela como uma grande lição aprendida: Nunca force ao extremo um dedo que acabou de ser estalado.

Depois de meses de treinamento, passei à fase dois: “Assobiar com os dedos” – Um adulto não saí por aí gritando – EI PSSSITT, VOCÊ AÍ ! – para qualquer um que queira chamar atenção. Um assobio com os dedos é muito mais maduro e respeitado como sinal de atenção. O primeiro que aprendi, foi o assobio com quatro dedos (indicador e médio de cada mão), na ponta da língua que se coloca um pouco abaixo do céu da boca, deixando somente o espaço necessário para que o ar expirado provoque aquele apito ensurdecedor. Vários são os problemas desse estágio: Você chega à beira do desmaio de tanto assoprar, assoprar, assoprar e apenas escutar um desapontador – “fuuuuuuuuuu” – bem aquém do – “piiiiiiiiiiiiiiiiiii”- desejado; Logo que você começa a aprender, tem que maneirar, para não acabar provocando problemas auriculares naqueles que dividem o teto da sua casa; Você passa horas conversando com o seu interlocutor, com metade da mão enfiada na boca, tentando entender exata e milimetricamente como aquele monte de dedos se encaixam. Com o tempo você descobre que o assobio de dedo é como um violino: Não tem uma posição marcada para a nota correta. Só a experiência e a sensibilidade musical podem fazê-lo ruir agradavelmente. Aprendida a lição, surgem as variações, como o difícil e mais belo de todos, na minha modesta opinião, assobio com os dedos polegar e indicador de uma única mão.

Já com o fôlego preparado para mais uma dura missão, pude aprender a produzir aquele belo silvo provocado pelo sopro dentro de uma concha formada pelas mãos, com os polegares unidos formando um pequeno bucal. Uma vez, confesso, cheguei a perder os sentidos de tanto assoprar minhas próprias mãos. Treinava no chuveiro, andando na rua, e para minha glória, foi num estádio de futebol, onde ninguém estava nem aí pro meu uivado perto de tanta gritaria e batucada, que fiz minha primeira apresentação em público.

Pouco a pouco, fui crescendo, e hoje, homem formado que sou: produzo silvos belíssimos, assobio como ninguém e meu estalar de dedos é de fazer inveja. Obrigado Fábio, e todos aqueles que me suportaram nessa época. Não sei como, mas um dia, ainda conseguirei retribuir e agradecer tudo que recebi.

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5 Comentários on "Lições"

  • Novatinho diz

    Achei sua cronica muito dez, cara fiquei muito feliz da minha cronica ter entrado no ar, valeu a ajuda.Cara tenho uma diga , ao deizar um comentario nos coqueiros,reparei que orelogio está errado, espero que nào esteja sendo chato só quero ajudar . abraço!!!

  • Bem… nem preciso falar como vim parar na sua pagina ne ? ou melhor axo que preciso… eu estava no google procurando um manual de COMO ASSOBIAR COM OS DEDOS!!! hahahuahuhuahua acredita nisso ? o meu barulinho ta irritante..quase nao se ouve… ouco mais ar do que qualker outra coisa… e eu assobio com somente um dedo o indicador da mao direita…. com dois dedos ou mais eu nao consigo! ai ai… to quase desistindo eh mto dificil po! voce axa que eu consigo ? ehehhehhehe minha proxima missaoooo eh essa!

    =//////

    hehehhehehhe

    bjao heim!

    vivista meu blog

    responde la

    http://www.fantasticomundodecarolina.blig.com.br

    bjinhussss….

    =************

    Calolzita

  • exclepiudes diz

    naiçe tu meti iu

  • Anônimo diz

    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaauando nascemos, sabemos pouco da vida. Com o passar dos anos, vamos acumulando conhecimento e sabedoria, e quando menos nos damos conta: viramos adultos.

    Por mais que tentemos evitar, alguns processos de aprendizado podem ser difíceis e dolorosos, mas nunca evitáveis. Um dia ou outro, você terá que passar por eles.

    Os amigos são a principal influência para um garoto de 12, 13 anos. E nesta idade, o pequeno jovem começa um longo e árduo processo de ensino que resulta na vida adulta.

    Eu posso dizer que tive uma grande sorte em ser o mais novo (segundo mais novo, na verdade) da turma, e portanto, sempre tive um aprendizado precoce, se comparado aos garotos da minha idade.

    O Fábio, um grande amigo que tenho até hoje (3 anos mais velho), foi um dos meus principais mestres nesse treinamento para o rito de passagem da vida infantil.

    Como um sábio que vê potêncial em um pupilo esforçado, ele frequentava minha casa diariamente das 18h00 às 19h30, entre o horário que eu chegava da escola e a sagrada hora da janta, e ficávamos estudando importantes lições ao som da Jovem Pan, Transamérica e Nova FM (quando estas quase só tocavam dance music).

    Na janela do meu quarto, tive a minha primeira grande lição: “Estalar os dedos” – um homem não pode ser chamado como tal, se antes de uma briga, ao intimidar o adversário, não estalar os dedos sonora e agressivamente. É bem verdade que quase quebrei meus dedos, várias vezes, de tantos apertá-los na ânsia juvenil de aprender essa tão importante tarefa. Aliás, não consigo estalar a parte inferior do meu dedo anelar esquerdo até hoje, por causa disso. E levo essa sequela como uma grande lição aprendida: Nunca force ao extremo um dedo que acabou de ser estalado.

    Depois de meses de treinamento, passei à fase dois: “Assobiar com os dedos” – Um adulto não saí por aí gritando – EI PSSSITT, VOCÊ AÍ ! – para qualquer um que queira chamar atenção. Um assobio com os dedos é muito mais maduro e respeitado como sinal de atenção. O primeiro que aprendi, foi o assobio com quatro dedos (indicador e médio de cada mão), na ponta da língua que se coloca um pouco abaixo do céu da boca, deixando somente o espaço necessário para que o ar expirado provoque aquele apito ensurdecedor. Vários são os problemas desse estágio: Você chega à beira do desmaio de tanto assoprar, assoprar, assoprar e apenas escutar um desapontador – “fuuuuuuuuuu” – bem aquém do – “piiiiiiiiiiiiiiiiiii”- desejado; Logo que você começa a aprender, tem que maneirar, para não acabar provocando problemas auriculares naqueles que dividem o teto da sua casa; Você passa horas conversando com o seu interlocutor, com metade da mão enfiada na boca, tentando entender exata e milimetricamente como aquele monte de dedos se encaixam. Com o tempo você descobre que o assobio de dedo é como um violino: Não tem uma posição marcada para a nota correta. Só a experiência e a sensibilidade musical podem fazê-lo ruir agradavelmente. Aprendida a lição, surgem as variações, como o difícil e mais belo de todos, na minha modesta opinião, assobio com os dedos polegar e indicador de uma única mão.

    Já com o fôlego preparado para mais uma dura missão, pude aprender a produzir aquele belo silvo provocado pelo sopro dentro de uma concha formada pelas mãos, com os polegares unidos formando um pequeno bucal. Uma vez, confesso, cheguei a perder os sentidos de tanto assoprar minhas próprias mãos. Treinava no chuveiro, andando na rua, e para minha glória, foi num estádio de futebol, onde ninguém estava nem aí pro meu uivado perto de tanta gritaria e batucada, que fiz minha primeira apresentação em público.

    Pouco a pouco, fui crescendo, e hoje, homem formado que sou: produzo silvos belíssimos, assobio como ninguém e meu estalar de dedos é de fazer inveja. Obrigado Fábio, e todos aqueles que me suportaram nessa época. Não sei como, mas um dia, ainda conseguirei retribuir e agradecer tudo que recebi.

  • ALEX diz

    JA TENTEI TODAS AS FORMAS TODAS MESMOS NAO CONSEGUI NADA ESTOU MUNTO TRISTE JA TENTEI COM UM DOIS E 4 DEDOS NAO CONSEGUI NENHUM MEU PAI FAIS ALTAO TENTEI VARIAS SEMANAS E NAO CONSEGUI A UNICA SOLUÇAO É A INTERNET MESMO ASSIN NAO CONSEGUI ALGUEM ME AJUDA

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