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O Amor - Parte 1 - (19-02-2002)

Todo escritor que se preze deve escrever sobre o amor entre um homem e uma mulher. É uma questão de tempo, momento ou, na pior das hipóteses, obrigação perante a classe.

Eu sempre fugi deste tema pelo medo da força que a palavra ganha quando sai do ar para o papel.

O problema é que não consigo escrever mais sem que esse tema fique martelando em minha cabeça. Talvez por isso deixei as poucas oportunidades que tive de escrever no último mês, para trás.

E nem sobre o amor eu consigo escrever, porque discordo totalmente da minha atual opinião sobre ele. Mas não consigo fazer nada para mudá-la.

Já tive muitas aulas de retórica, onde aprendi a diferença entre o convencimento e a prova, e talvez essa seja a única explicação para esse confronto que sinto.

Tenho todas as provas que preciso para desacreditar totalmente no amor, mas acho que ainda não me convenci disso.

O amor é responsável pelas mentiras mais sinceras que alguém pode cometer. Ninguém pode prometer amor eterno, porque nunca terá como saber o quanto durará o seu amor. E não é sua culpa se o amor acabar. Muitas vezes o amor acaba a contra-gosto, e não se pode fazer nada em relação a isso.

O amor até pode ser infinito (eterno nunca, pois o eterno não tem fim, nem começo e o amor sempre começa de alguma forma), mas essa é apenas uma possibilidade.

Uma pessoa está sendo totalmente sincera quando ama alguém e diz que a amará por toda a vida, por exemplo. O amor é o grande álibi de uma mentira como essas, um álibi tão perfeito que engana até aquele que está mentindo, sem saber.

Por essa e uma série de outras provas, eu poderia aqui, escrever um tratado contra o amor, mas não é isso que eu tenho em mente. Mesmo porque, ainda tenho muito medo de escrever e argumentar sobre algo em que não estou convencido.

Essa crônica é só uma tentativa de afirmar que tudo que eu penso está errado. Sei lá …



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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br • 13-02-2002 03:43

Queres encontrar explicação para a dissonância entre coração e cabeça(s)? Sejas um escritor, meu filho!

Renata - renata.natacci@jwt.com • 18-02-2002 11:36

Ricardo,

Sei lá. Mas gostei da tua crônica e estou esperando (muito!) a parte 2. E a 3. E a 4. Ea…

Anninha - apschs@uol.com.br • 19-02-2002 07:17

Ri, estou desde o 1/2 do carnaval tentando elaborar um simples comentário, mas não sai, não flui… não sei, sei lá… *rs* Dessa vez tb não estou conseguindo! *rs*

Sobre a qualidade do texto, é fácil, está ótimo, mas sobre o tema…

maria margarida cruz - marmarga@uol.com.br • 02-03-2002 09:38

Ricardo

Entendo tudo o que diz na sua crônica. Passei por essa etapa e por outras, e por outras, e por outras…

Se eu pudesse de fato lhe dizer alguma coisa seria uma frase do Steinbeck:

Só porque não aconteceu não quer dizer

que não seja verdade.

E um poema meu, aliás um dos que mais gosto:

saber do amor

não o que eu quero

agora.

agora

eu quero saber de mim

do centro em mim

que sabe do amor.

São tantos momentos, a caminhada de uma vida…

Gostei muito da sua crônica.

Gostei muito da sua coragem ao escrever a sua crônica.

Lhe desejo grandes encontros, no mínimo correspondentes à sua grande busca.

Margarida

ALEX SOUZA GOIS - link - PITTUK@UOL.COM.BR • 25-01-2003 02:02

DEIXA PRA LÁ, QUEM ME AMA?

Liliane - lisantannna@hotmail.com • 13-03-2005 07:06

Nem sei se vc ainda passa por aqui para ler…

Hj estou me sentindo do jeito descrito na crônica…

digitei ” não consigo escrever” no google, é achei sua página…

se tiver outro endereço me manda por e-mail…

[]z

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