A História de Tonny e Mike

Ao som de George Benson cantando “Give me the Night”, Tonny e Mike circulavam pelas ruas do Rio de Janeiro no seu velho Puma Laranja conversível com capota de vinil.

Tonny e Mike eram integrantes do departamento de polícia de Los Angeles (LAPD – “ele-ei-pi-di” como eles diziam lá, ou “Lapada” como repetiam os colegas aqui) que perderam toda sua credibilidade na terra do Tio Sam, após serem pegos pela corregedoria numa festa particular de um dos maiores cafetões de Hollywood e, então, foram enviados ao Brasil para uma importante missão internacional.

Eles já estavam no país há quatro anos e ainda não sabiam exatamente qual era essa missão, mas estavam certos que era uma missão estratégica e sabiam que todo esse tempo sem notícias era uma espécie de treinamento para melhor adaptação ao Brazilian Way of Life, baby.

Tonny, moreno, boa pinta, típico malandro de correntinha no pescoço, já se considerava um típico “Querioca” (ok, ok, ele reconhecia… o sotaque ainda não estava perfeito). Freqüentava os morros, era viciado em jogo do bicho, namorava uma mulata (chamada Pedrão, ou Big Peter, como acabou descobrindo tempos depois) e corre o boato que era muito amigo de Tim Maia, na época da Igreja Racional. Os dois sempre batiam longos papos sobre soul e alienígenas, não necessariamente nessa ordem.

Mike, loiro, alto, meio bobo, ainda não estava totalmente conformado com o flagrante na festa na Sunset Boulevard. O safado do Tonny disse para ele que era uma missão estratégica contra o tráfico de atrizes latinas que assolava a América na época. Tudo bem vai… Agora ele não poderia mais pensar no passado, estava envolvido numa missão estratégica para o governo dos EUA.

Ipanema era o local, posto 7. O sol dourado do entardecer reluzia nas curvas do Puma Laranja, e nos topetes esvoaçantes de Tonny e Mike. Duas típicas Brazilian Girls corriam pela calçada. Tonny (que não era muito fiel ao Pedrão) não resistiu, e começou a virar a cabeça naquele movimento conhecido como “pescoçada” (“neckled”, em inglês) até bater o Puma num daqueles postos de gasolina que ficam na ilha, no meio da avenida da praia.

Chegava ao fim a primeira aventura da pior dupla de policiais da América. Tonny e Mike, os reis do anticlímax.

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6 Comentários on "A História de Tonny e Mike"

  • Fujii diz

    quanto quiser

    Ãh…que brincadeira mais ridícula e previsível, mas eu não pude deixar de fazer.Hehehe

    É…esses americanos…

  • Paulo diz

    Senti falta da participação especial de Sucker and Fucker. Ficou muito divertida!

  • Rafael diz

    Estou com medo! isso vai continuar? hehehehe.

  • paulo diz

    Esse seriado promete. Miame vice que se cuide.

  • pamela diz

    Oi Ricardo gostei muito da sua cronica, gostei também de saber que voceis estão dando um espaço para os leitores também escrever suas cronicas, quem sabe um dia eu também escreva uma.

    BEIJOS para todos!!!!

  • Gabriela diz

    Quando vai sair o segundo capítulo da saga? Tava afim de saber como nossos super (anti) heróis se comportam na hora de fritar um ovo.

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