Talvez …

Nunca escrevi crônica no papel. Todas que escrevi seguiram sempre o mesmo roteiro: Meus pensamentos, meus dedos, teclado e monitor. Minha relação com o papel sempre foi distante. Sempre rejeitei o papel, e ele a mim. Minha letra de mão não existe, só a de forma. Não sei escrever .Apesar disso, talvez não tenha sido tão ruim ter perdido meu computador. Pela primeira vez escrevo na forma mais pura. Um erro aqui, não some, vira rabisco. E por mais que eu evite, o aspecto sujo do texto esfrega na minha cara, a minha imperfeição.

O tic-tac do relógio, a chuva na rua, e a orquestra de violinos ao fundo, acompanha minha escrita. Acho que nunca me senti tão só escrevendo. Depois de um dia de trabalho árduo, posso escrever. Depois de um dia que acabou com uma noite de 3 pesadelos seguidos, vou escrevendo.Minha vida não está ruim, muito pelo o contrário, estou buscando e conseguindo, muito do que sempre quis. Minha única tristeza é a descrença naquele que todos julgam o mais belo e nobre dos sentimentos.

Talvez por isso a solidão esteja sendo uma ótima companhia. Meu ante-braço está doendo. Não sei escrever no papel.

Não posso julgar toda humanidade pelas minhas experiências. Mas se só tenho essas experiências, no que mais posso crêr? Não queria desconfiar de tudo. Mas não consigo. Acho, sinceramente, impossível acreditar na perenidade de um sentimento.

Minto! O amor entre pais e filhos é sincero, e esse sim, pode ser perene. Talvez seja este sentimento o que mais me completa agora. Talvez, mais do que nunca, eu queira ser filho. Só para saber que não estou só. Que não sou só eu.

Eu queria acreditar que vou ser de alguém um dia. Mas a única coisa que vejo é uma criança. Um filho, ou filha. Eles é que vão me salvar dessa descrença idiota.

A dor passou. Parece que meus músculos se aqueceram. Ainda não sei escrever no papel, mas começo a gostar.

Talvez um dia eu complete um caderno, como este, com pensamentos e textos sem nexo, ou sentido, mas inundados de pretensão. Talvez um dia e consiga escrever algo que não seja piegas. Existe palavra mais piegas, do que piegas? Acho que não.

O texto já perdeu grande parte do sentido. Começo, meio e recomeço, e assim por diante. Mas não vou parar de escrever. Por um motivo, puro e simples: Não quero! Perdi a vontade de escrever racionalmente . Se for reler isso agora, ficarei com sono. Mas se eu dormir, os pesadelos podem voltar. Não quero que eles voltem.

Parei, e reli o texto. Minha convicção não está durando mais do que um parágrafo. Quem sabe eu já não esqueci o que disse agora a pouco?

Cansei, vou dormir. Continuo sem saber escrever no papel. Sem acreditar no amor perene. Sem convicções. Disso estou certo.

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6 Comentários on "Talvez …"

  • PAMELA diz

    ADOREI LER MAIS UMA CRONICA SUA AS VEZES FICO ME SENTIDO MUITO SOLITARIA E AÍ PENSO CADÊ O CÁ ( VOCÊ RICARDO ) PARA LEVANTAR MEU ALTO ASTRAL ESTOU COM MUITA SAUDADES DE VOCÊ, JÁ FAZ TEMPO QUE NÃO ME LIGA ESTOU ACHANDO QUE VC ME ESQUECEU. BOM ESPERO QUE VC NÂO SE SINTA MAIS SÓ, POIS QUANDO SE SENTIR É SÓ ME LIGAR QUE ESTAREI PRONTA PARA LEVANTAR TEU ASTRAL OU QUEM SABE ATÉ TE FAZER COMPANHIA

    BEIJOS

  • Dani diz

    Bacana a crônica Ricardo. Sem mais comentários. Não quero atrapalhar o xaveco aí de cima.

  • Fujii diz

    Richard, essa crônica foi bem do jeito que eu gosto,sabe? Claro.Pois é… Acreditar no amor perene(sem ser de pai e filho) é muito difícil,mas não impossivel.Lembrou-me uma musica do Tim Maia que fala sobre isso.Um dia, quando vc menos esperar, ficará apaixonado por uma garota especial e quando vc menos perceber estará amando e sendo amado. Talvez seja só um sonho ou um desejo.Mas é isso que faz a gente viver com esperanças.Penso assim nesse momento.

    Amem!

    Abraço mano,fujii

  • Gabriela diz

    Como assim? os comentários são sempre iguais? olha que tem mutreta aí.. é ano eleitoral mas também não precisa ser tão descarado. Ri… se até jesus salva imagine então o Humbertão Highway? gabis

  • paulo diz

    Esquisito, os comentários das duas duas crônicas estão iguais. Será que é o meu computador ou é a interferência causada pelos ETs e o Humberto Gessinger cantando? De qualquer forma, essa crônica sobre o Engenheiro do Hawaí ficou insolitamente ilariante. Não que eu tenha alguma coisa contra o cara, mas que é engraçado, isso é!

  • Quisera eu sofrer do mal de fazer destas tantas letras, que me são infortúnio, pensamentos norteados num só sentido e direção.

    Parabéns pelo talento de conseguir extrair das letras estas tantas bobagens saborosas…

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