Crônica a Bordo

Vamos lá: vocês podem achar que estou querendo esnobar, mas a verdade é que eu nunca tive oportunidade de escrever num ambiente tão inspirador como este.

Em primeiro lugar, não há mouse, computador, monitor e nem tomadas. Minha mídia é o papel. Se eu olhar exatamente para a minha frente verei parte da proa (frente, em um veículo terrestre) do veleiro Cicerone (35 pés, aproximadamente 12 metros), água, muita água e uma ilha. Se não me engano, chamada Cotia.

Essa situação é extremamente desconcertante para uma pessoa que passou muito, mas muito tempo dos últimos meses numa realidade extremamente urbana e voltada para o trabalho.

É fato que todos devemos cumprir com as nossas responsabilidades peranta a sociedade e até perante nós mesmos, afinal deveríamos trabalhar somente com o que gostamos, portanto, pelo menos em tese, deveríamos ter prazer ao realizarmos nossa labuta diária.

Na prática acabamos nos preocupando tanto com “segurança”, estabilidade financeira e futuro promissor, que abdicamos do nosso prazer no trabalho, e dissociamos totalmente os momentos de lazer dos momentos de realização de tarefa da profissão que deveríamos amar tanto.

Você pode estar se perguntando: por que esse cara fica fazendo esse monte de filosofia barata ao invés de aproveitar o barco, a paisagem, Parati, enfim, essas coisas?

É que fiquei indignado com a diferença de qualidade de vida que senti de ontem (quando ainda trabalhava) para hoje. Isso porque ainda me considero um privilegiado de gostar (e muito) do meu trabalho. Imagine daqueles que não gostam…

Resumindo, e parafraseando um dos donos da produtora onde trabalho: “Tudo bem que a gente gosta do que faz … Mas a gente tem mais o que fazer!”

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10 Comentários on "Crônica a Bordo"

  • anninha diz

    Invejinha (da boa)!

  • malena diz

    e como temos mais o que fazer….e esse sol lá fora…

  • Kris diz

    Comnpreeendo perfeitamente, if you know what i mean…

  • Juliana K. diz

    Realmente, eu sou totalmente a favor da volta às origens – sombra, rede e água fresca…

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Depois das férias todo mundo fica meio nostálgico.

  • Ricardo diz

    É legal ver como esse tema comove as pessoas tão fortemente … pelo menos percebemos que não estamos sós !

    Valeu!!

  • Moacyr diz

    Realmente. Pensamos em tantas coisas que esquecemos do prazer do trabalho. Mas rede, sombra e água fresca não fazem mal a ningúem.

    De vez e sempre, é sempre bom !

  • Plínio Volponi diz

    Isso é definitivamente muito bom! Principalmente quando se passa a virada do ano escrevendo crônicas em alto-mar.

  • Caro Ricardo
    Adorei seus comentarios
    FREd

  • Ricardo
    adorei seus comentários
    FRED

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