Madrugada

Nos últimos 2 anos, praticamente todas as crônicas que publiquei, foram escritas depois da meia-noite e antes do nascer do Sol.

Sempre considerei esse o melhor horário para se escrever e pensar. O telefone não toca, a televisão está desligada, ninguém te chama pra conversar, e a trilha sonora pode ser totalmente voltada à ambientação do momento de criação e busca pelas melhores palavras.

A madrugada porém, é também aquela parte do dia onde todos aqueles medos e questionamentos atacam os seus pensamentos de modo mais hostil. Aquele momento de indignação que já passou durante o dia, volta rasgando o peito, lembrando que a indignação não passou, fora apenas abrandada por diversas razões que normalmente envolvem o medo de ser visto como um animal irracional dentro de uma sociedade tão “politicamente correta”.

Durante o dia, tenho diversas idéias para textos divertidíssimos, que só precisam ser escritos, mas que já foram criados. Diálogos e situações que me fazem rir sozinho, nos momentos mais inesperados.

O grande problema é que no momento em que sento em frente ao computador na madrugada, eu encaro o monitor e penso seriamente em como escrever meu texto engraçado, mas só vejo palavras de revolta, indignação e receio.

Muitas vezes, pensar demais atrapalha.

Já estraguei várias cenas divertidíssimas, que começaram a ser escritas com um humor leve, passaram para a ironia, sarcasmo, até chegarem num ponto tão ácido e melancólico que perdiam o pique de texto humorístico, porém ainda eram canalhas demais para um texto verdadeiramente sério e engajado.

No último mês, trabalhei que nem um cachorro por duas semanas e meia, e por isso não escrevi absolutamente nada. Nos outros dias, briguei comigo mesmo, tentando definir estilo, tema e abordagem, porém não passei de vários começos de textos sem perspectiva de um fim aceitável.

Sei que esse texto também não pode ser considerado uma crônica. Porém, é meu modo de dividir com vocês minha aflição e também de pedir sinceras desculpas por estar tanto tempo sem, aparentemente, pensar no site.

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1 Comentário on "Madrugada"

  • Paulo diz

    Ricardo, entendo a sua angústia. Aproveito para dizer que tbm não tenho atualizado pq tou trabalhando sem parar desde dezembro. Já comecei alguns textos, mas a cabeça não estava lá. Tens, portanto, o meu apoio. Afinal, sempre há espaço para manifestações criativas sobre o branco ou nossa incapacidade de escrever – vide a neo poesia proseada SQUISH.

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