Da série “Investimentos Pessoais” – Parte 1

“É bem simples. Basta você sentar num dos flutuadores. À sua frente está a esteira, a escota, e claro, o burro (não você, outro). Seus pés ficam por baixo da tira de contra-peso. Se você tiver sentado no flutuador a bombordo, sua mão esquerda segura a escota e sua mão direita fica com a extensão da cana do leme. É fácil de lembrar, se você sentar de lado para a proa do barco e deixar espaço suficiente pra passar a cana do leme entre seu corpo e a popa, verá como é fácil mover o leme e equilibrar o barco. Certo ?”

Então, é mais ou menos como você deve estar se sentindo agora, que eu entrei na represa do Guarapiranga, vestindo uma daquelas lindas roupas de neoprene, colete salva-vidas e gostosa sensação de “cadê a minha mãe”?

Explicando: numa dessas manhãs extremamentes frias (sim, só eu sei, foi genial a idéia de iniciar um esporte aquático na véspera do inverno!) eu tive minha primeira aula de vela no veleiro da classe “Laser” (aquela em que nosso brilhante Robert Scheidt foi campeão mundial milhares de vezes). O menor de todos, adequado para o transporte de um único náufrago, digo, tripulante.

Após uma aula teórica-prática da montagem do veleiro, me sentindo uma grande besta-do-mar, eu entrei na represa, amparado pelo instrutor Jaques (isso é que é nome para deixar um aluno de vela seguro!).

Como todo processo que mistura intelecto com procedimentos físicos, à primeira vista é bem complicado coordenar tudo que deve ser feito para que você consiga, pelo menos, ir e voltar com o barquinho.

Depois de um pouco de prática, percebe-se que realmente é muito complicado coordenar tudo isso. Quer dizer, se não tivesse o vento e a vela pra virar a maldita embarcação toda vez que você tiver tentando puxar o cabo (eles chamam isso de “caçar a vela”), puxar o leme, passar perna por cima tira de contra-peso, abaixar pra não tomar uma esteirada (esteira é a base da vela, que inclui um tubo metálico magnético a testas humanas), pular para o outro lado (SEM SOLTAR NADA DISSO!) e manter o leme no sentido certo, talvez o processo fosse mais fácil.

Fora isso, nós, seres terrestres, temos um tempo de reação de movimentos ligado, obviamente, ao chão. Na água, isso é totalmente diferente, e quando o barco parece que vai virar, talvez não vire. Se tentar desesperadamente evitar que isso aconteça, talvez você vire o barco pro outro lado. Enfim, é como chegar num país que não use o alfabeto romano, e tentar ler fluentemente um texto cheio daqueles “simbolozinhos” tão bacaninhas,  mas que não te dizem absolutamente nada.

Depois de uma meia hora (e muito caldo), até consegui fazer algumas viradas (nem um pouco olímpicas, mas que até que funcionaram), e fui percebendo que as coisas até que tinham chance de ficar melhores. O suficiente pra eu perceber que, mesmo eu, poderia velejar.

Apesar disso, comparativamente, meus colegas iam e voltavam nas boias que foram colocadas para que não perdêssemos o rumo, e o melhor sentido do vento. Eu, ia e voltava pra baixo d’água seguro pela bóia que foi colocada no meu colete, para que eu não perdesse a vida.

Findada a aula, eu era (sem dúvida) o mais molhado, cansado, sujo e, claro, aquele que mais ingeriu terra (via água) da represa. Logo, concluí que fui o que mais aproveitei!

Já sabia, mesmo antes de pensar em fazer a aula, que aquilo não era para mim. Eu tenho dentro mim, uma ligação muito forte com motor, gasolina e, de preferência, borracha queimada. Minha “praia” (desculpem o trocadilho) é outra. E pra me certificar  disso, saindo da represa, fui direto para o Kartódromo de  Interlagos, e lá, só de escutar o ronco dos motozinhos dos karts, pude dizer tranquilamente : “Lar, Doce Lar!”.

De qualquer forma, cada vez mais, tento aumentar esse tipo de experiência, pois como disse um amigo (que também fez o curso, e felizmente se deu bem!) esse é o melhor dinheiro que se pode gastar : Investir em você!

Se eu nem vou terminar o curso, e portanto, não me tornar um velejador, posso pelo menos, xingar os adversários do nosso campeão nas próximas Olimpíadas com a propriedade “de quem sabe o que ele está passando”. E isso, muitas vezes, já é o suficiente. O importante é nunca parar de tentar.

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6 Comentários on "Da série “Investimentos Pessoais” – Parte 1"

  • Verônica Almeida diz

    Realmente Ricardo, velejar no inverno não é muito bom. Mas como vc disse…valeu a experiência. Aliás, vc gosta de experiências, não?

    E concordo quando diz que o importante é nunca parar de tentar!

    Continue escrevendo (ultimamente vc anda inspirado…continue assim)!

    Bjos!

  • Renata diz

    Opa! Se esse foi o 1, esperamos o 2, o 3, o 4…

    Beijão!

  • Paula diz

    Assim como a Verônica, também acho que vc está inspirado ultimamente.

    Parabéns pela ótima safra!

    bjos

  • Rafael diz

    Ai, Ricardo, Você anda tão inspirado !

  • Paula diz

    Rafael,

    Vcs todos são uma inspiração só!!!!

    (já que é pra rasgar a seda, que seja com vontade)

    bjos

  • Ricardo diz

    É isso aí pessoal!! O importante é escrever e continar lendo!!

    Muito obrigado a todos pelos elogios, e “vamo que vamo” !!

    Abraços!!

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