1ª Edição do FEBEAPRÊ

Nosso país sempre foi notável na arte de criar “cocorocas”, apelido carinhoso dado por Stanislaw Ponte Preta “para todos aqueles que se esforçaram para engrandecer o frondoso absurdo da realidade brasileira”.

Por meses venho observando o maior cocoroca do novo século e noto, a cada discurso presidencial, que somos atingidos por uma enxurrada, uma inundação, um dilúvio de besteiras.

Ao entrar em contato com o magnífico FEBEAPÁ (Festival de Besteira que Assola o País, também criado por Stanislaw no auge da ditadura) percebi que, ao menos no quesito cretinices, estamos em uma época que rivaliza de forma (in)competente com os anos de chumbo.

Mais do que organizar as Olimpíadas ou uma Copa do Mundo, é fato de que sem o menor esforço da iniciativa pública ou privada, já temos todas as condições de sediar um novo FEBEAPÁ. Frases como “relaxa e goza” ou o apagão aéreo é um “sinal de progresso” são as provas do ressurgimento, mesmo que informal, deste Festival (tenho, aliás, uma grande suspeita que nunca acabou).

Não me sinto capaz de ser o novo curador de um Festival de tal porte, porém pelo simples fato de que ninguém o faz, decidi ao menos sugerir algo menor, um adendo chamado : FEBEAPRÊ – Festival de Besteira que Assola a Presidência.

O FEBEAPRÊ não discutiria atitudes e ações políticas. Apenas destacaria os dizeres, os lapsos de genialidade aflorados todo instante que nosso líder maior decide revelar sua mais excelentíssima e sincera opinião.

Não é nem justo que o nosso Presidente da República, um “Fenômeno” neste quesito (perdoem-me o termo: besteira) não tenha uma compilação das suas geniais criações.

A gota d’água para que eu pensasse em sugerir a criação deste novo Festival foi o discurso improvisado da cerimônia de posse do Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Numa época tão assustadora da nossa história, foram muitos os momentos dignos de participação no FEBEAPRÊ (difícil, aliás, escolher os que não foram!). Não resisti e decidi destacá-los.

Bem-vindos, portanto, ao Festival de Besteira que Assola a Presidência :

o governo trabalha sempre com a hipótese e com a convicção de que é preciso encontrar uma solução definitiva para esse problema e para qualquer problema existente”. Genial nosso governo!

se eu pudesse pedir a Deus, eu pediria que esse fosse o último acidente de avião que acontece no Planeta. Não será. Deus queira que não seja no Brasil…” Preciso comentar algo?

haverá aqueles que irão dizer que o companheiro Waldir está saindo por causa da crise área, por causa da tragédia do avião da TAM. Esse fato, na verdade, permitiu que você tomasse uma decisão de pedir o afastamento.” Isso aí, Presidente! “Sair” e “se afastar” são expressões absolutamente opostas! Bem observado mesmo.

de repente, eu vejo que o advogado, o ministro, o deputado estava sem fazer nada, atrapalhando a esposa, que pedia para ele sair de casa um pouco. Eu falei: bom, eu acho que está na hora do Waldir, que tem um pouco mais de idade do que ele descansar e do Nelson Jobim voltar a ativa, porque um cidadão com o tamanho e com a força dele não pode ficar aposentado.” Realmente, as famílias das vítimas e todo país clama por um pouco de bom humor e descontração do Presidente justamente na explicação de algo tão desimportante como a escolha de um Ministro da Defesa. Agora sim estamos convencidos que vai dar certo!

Precisamos “aproveitar esses momentos para tirar lições e fazer as coisas que precisam ser feitas.” Precisamos mesmo! Muito!!

É preciso que a gente tenha o Ministério da Defesa com força suficiente para fazer as mudanças que precisam ser feitas, desde discutir a modernização, reequipar, até a reestruturação das Forças Armadas Brasileiras, até colocar pessoas para tomar conta de tudo aquilo que é pertinente às nossas Forças Armadas.” É isso! Como não pensaram nisso antes?!?! Quem tomava conta do país antes do acidente, Presidente? Avisa o cara!

Segundo nosso líder, o novo ministro deve “assumir com todas as forças para fazer todas as mudanças que precisar fazer, onde precisar fazer” – e mais – “Por isso eu disse que a crise pode nos dar condições de fazer as coisas que precisam ser feitas, e se fizéssemos antes, possivelmente teríamos questionamentos em 500 lugares deste País”. Tem um personagem dos filmes do Shrek que fala exatamente assim, e é por um único motivo : que o seu nariz não cresça. É impressionante (e assustadora) a semelhança. No filme fica bem engraçado.

O dado concreto é que nós precisamos aproveitar este momento para fazer, definitivamente, o que tem que ser feito no Brasil.” É isso aí!

Muito obrigado pela presença e até a próxima edição.

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5 Comentários on "1ª Edição do FEBEAPRÊ"

  • Anônimo diz

    Esclarecedor!

  • Paulo diz

    Eu apóio e me inscrevo no Festival. Vou dar um jeito de arranjar um tempo para contribui ativamente com o movimento!

  • anninha diz

    não vou comentar nada pq se disser mais alguma coisa estraga…
    por mais que eu preferisse que esse texto (e os que virão) nunca fossem escritos pela simples falta de razão, falta de motivo… pena não ser assim.
    APOIADO!

  • Kris diz

    Eu queria que esse fosse o último texto desse tipo que você escreve no planeta. Não será. E quando for, Deus queira que não seja sobre o Brasil.

  • diz

    Do jeito que vai o mundo, nem é mais um festival… É um evento permanente mesmo!

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