Sozinho

Acordou sozinho e foi fazer exercício. Sozinho.

Correu, curtiu o Sol, suou e se sentiu bem. Ainda sozinho.

Foi almoçar, era domingo. E sentou numa mesa na calçada, pra ver o passeio, como diziam os antigos.

Pediu o prato e então se surpreendeu com um motoqueiro parando no cruzamento à sua frente.

A moto era pequenina, como aquelas que se produziam na década de 70, e o senhor que a pilotava, parecia estar numa escala reduzida, ao lado das peruas e SUV’s que o cercavam. O capacete, do tipo coquinho, deixava à mostra seu rosto invocado de velho Easy Rider. Pela estatura da moto, mais Easy do que Rider. Mas ainda assim, cara de mau como um legítimo cavaleiro do asfalto.

Gostou tanto da cena que, sorrindo, sacou o celular para tentar, discretamente, fotografar o motoqueiro. Não foi lá muito bem sucedido na história da discrição, e chamou a atenção do piloto que, então, o encarou.

Por conta de uma timidez caipira típica das grandes cidades, os instantes que precederam ao blackout da tela, indicando que o clique foi feito, pareceram uma eternidade.

Click!

O sinal abriu e ele viu a motoquinha arrancando invocada entre os carrões, indo embora.

Quando voltou os olhos pra tela, uma surpresa: o motoqueiro abriu um sorrisão pra sair bem na foto do rapaz curioso que sorria na calçada.

Voltou a sorrir com a surpresa, até que chegou seu prato e ele pôde, finalmente, matar a fome.

Feliz.

Não estava mais sozinho.

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