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A mulher do Walter - (18-06-2001)
Outro dia abri um caderno antigo, bem, não tão antigo assim, e achei uma foto da Turma. Sim, a Turma, com todo mundo lá, posando felizes numa festa de um sábado plausÃvel. O Peres, o Mamão, o Carlos, eu, o Fininho (com a namorada da época) e o Walter. Meu Deus, o Walter. Naquele dia o Walter ficou muito bêbado, aà ele sumiu. Não trombei mais com ele.
Peguei o telefone e liguei na hora.
– Walter, seu safado !!!
– E aà Farlo !
– Farlo é a mãe, cê tá bom?
– Tou bom, tou bem…
– Cara, fazem séculos que não te vejo! O que é que tá acontecendo, hein?
– Ah, você sabe, né? A Martha…
– A Martha? Xi… você está nessa vida ainda, cara?
– Pois é…
– Lembra aquele dia? Aquela última vez que a gente foi pra balada, e o Fininho quase apanhou da namorada, como era mesmo o nome dela…
– Priscila…
– Isso, o Fino quase apanhou da Pri, porque ficava dizendo “à saúde das loiras do Brasilsilsillllll !!!” pra cada chope que a gente pedia… e aquela mesa do lado tinha três loiraças que só ficavam pagando pau pra gente.
– Bom, pagando pau pro Mamão, você quer dizer.
– É verdade, parecia que o Mamão era doce, vai pro inferno !
– Eu nem me lembro direito daquele dia…
– Não lembra? Aposto que não. Você estava assim: uma batatinha, um chope. Outra batatinha, outro chope. E enquanto o garçom não trazia a próxima tulipa, você lambia a mostarda, pra não gastar batata.
– Pois é… depois daquele dia…
– Nunca mais a gente saiu assim, né? Ou melhor, você nunca mais saiu com a gente.
– Pois é… depois daquele dia… a Martha nunca mais me deixou sair pra essas baladas.
– Sério?
– Sério.
– Nem ir tomar uns chopinhos com o pessoal do trabalho?
– Nem.
– Vai me dizer que você nem falou mais com o Peres, então?
– Exatamente.
– Cara, isso eu não concordo. Quem ela pensa que ela é? Ficar ordenando assim…
– Pois é…
– Você lembra do dia? Ela queria vir com a gente!
– Queria?
– Só porque a namorada do Fininho ia…
– É verdade…
– Não tem nada a ver, o lugar não era pra Martha. Eu acho que você devia dizer isso pra ela.
– Isso o quê?
– Que não tem nada a ver, que ela não pode agir assim com você, Walter! Você é um cara legal, que tem amigos, que gosta de se divertir! Você precisa ter seu espaço, sua individualidade!
– Sei lá…
– Sei lá? Cara, você está maluco? Você precisa respirar, entendeu? Você precisa ser você! In-di-vi-du-a-li-dade, tá entendendo?
– É difÃcil, é difÃcil… com a Martha é difÃcil…
– Cara, me explica… eu nunca concordei com isso.
– Você sabe como é… não posso falar isso assim, pra ela… ela vai se sentir culpada, nunca vai me perdoar.
– Walter, e daÃ?
– É que você não entende… eu sou a única pessoa na vida dela, sabe?
– Alguma hora você vai ter que largar essa mulher !
– Eu sei, eu sei. Alguma hora eu faço isso, eu acho, mas eu não posso, entende?
– Por que?
– Porque a gente é muito unido, muito junto…
– Corta essa, porra!
– Farlo, Olha…
– Farlo é a mãe!
– Veja bem, não é assim…
– Vê se dá um pé na bunda dessa mulher, porra!
– Não posso, você não entende, Farlo…
– Já falei que Farlo é a mãe!
– Não fala assim da minha mãe!
– Falo sim !!! Você não larga a Martha, parece uma criancinha!
– Não fala assim da Martha.
– Ela fica te podando, eu não posso concordar com isso!
– Não fala assim da Martha, Farlo!
– Você tem que arranjar uma mulher de verdade e largar essa velha!
– Não fala assim da Martha!
– Walter, vai se fuder!
– Vai você, Farlo!
– Farlo é a m…
“É a mãe, é a Martha”, eu ia dizer. Até hoje o cara não saiu da barra da saia dessa mulher. Quando é que ele vai largar a mãe e começar a viver, pombas? Filho único é foda.
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