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Saudosa Maloca - (02-07-2001) Dá licença deu contar. Hoje ouvi no rádio a música “Saudosa Maloca”, do Adoniram Barbosa, interpretada por um grupo que, se me funciona a memória, chamava-se Grupo Catavento ou algo assim. Era um arranjo diferente, no estilo do MPB4, várias vozes masculinas se sobrepondo, uma coisa muito requintada para uma letra tão “pé no chão” e popular, como sempre foram as composições do Adoniram. Essa música tem um significado um pouco traumático para mim. Quando eu era pequeno, ela estava presente em várias ocasiões. Sempre gostei de Demônios da Garoa, porque meu pai me inseriu nessas canções. Trem das Onze, eu sabia batucar desde 5, 6 anos. Mas não, não podia, não concordava em ouvir Saudosa Maloca. Era começar os primeiros acordes para entrar em uma tristeza profunda. Ficava com os olhos cheios d’água, escutando a história de “eu, Matogrosso e o Joca”, lutando pela maloca própria. E eu olhava para os adultos, cantando, se divertindo, como se fosse algo normal e que merecia ser cantado. E eu nem sabia o que era uma maloca! Absurdo! Pensava eu, como se podia cantar, numa festa ou churrasco qualquer, uma história tão triste? Me pesava muito vê-los felizes com a desgraça alheia. Minha vontade era brigar com “os hômi com as ferramentas” que destruiram tudo. Tinha que ser impedida essa demolição cruel, eram apenas três amigos simples e pobres que tinham construÃdo seu casebre com o suor do próprio rosto, como se pode jogá-los na rua? Como criança, eu chorava. Chorava muito, pensando nos três que perdiam as suas casas, e que tinham que morar no relento, e não achava justa aquela resignação deles, esperando o frio conforme o cobertor que Deus desse. Eu não conseguia simplesmente ouvir a música. Eu a sentia, eu a sofria, era impossÃvel ficar passivo, como os adultos. E era muito bonito isso. Sim, era, porque agora consigo ouvir esta música no rádio sem chorar. É uma pena. Conforme vamos amadurecendo, aprendemos a manter distância das coisas, das pessoas, dos sentimentos, ainda mais se forem alheios. Mais velhos, podemos cantar músicas catastróficas e achá-las simplesmente “bonitas”. A vida nos obriga a ser blasée, a ver o mundo através de uma lente pastel. Não existem mais cores, não há nuances, não há espaços para sentimentalismos. Passe por cima, e pronto. Cante esta música, espere pela próxima. A lágrima deve ficar contida, retida, e se ocorrer o escândalo de escorrer pela face, que a esconda. Não seria normal, hoje, com 21 anos, que eu chorasse ao ouvir “Saudosa Maloca”. Não seria normal se eu ficasse emocionado com uma história de três amigos humildes porque perderam sua casinha. Não, eles não têm dinheiro, têm que trabalhar, não podem ir invadindo propriedade alheia. Aliás, porque estou discutindo isto? É apenas uma canção, é ficção, não perca tempo com isso. Há coisas mais importantes para fazer, não se preocupe. Não pense nos três amigos despejados cruelmente. O que você está fazendo? Pare! Limpe já isso aÃ. Chorar por nada, que bobagem! O tempo para sentimentos já acabou. Saudosa inocência, inocência perdida… |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 06-09-2001 02:04
porra, fiquei comovido. Sério. Tanto que fui ao dicionário procurar o significado da palavra “saudade”, por causa de “saudosa”. Não que não soubesse seu significado. É que me ocorreu que “saudade” é uma palavra que só existe na lÃngua portuguesa e traduz perfeitamente a alma lusitana, e, porque não, a brasileira. Aà vai: |
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André Martins Favarin - andrefavarin@yahoo.com.br 09-09-2001 07:56
E aà meu irmão? |