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Categorias - (01-10-2001) Um dia, o homem descobriu-se diferente do resto dos animais. E não era só por causa do apêndice, não. Era por causa da consciência de ser único entre os outros homens. Desse dia em diante, além de ter mais um assunto para jogar em cima da gostosa da caverna ao lado, o homem começou a se classificar. Primeiro, dividiu o mundo entre civilizado e incivilizado, há milênios atrás. Os que chamavam a si próprios de civilizados consideravam bárbaros todos os outros. Um absurdo, já que todos sabem que, naquela época, o mundo inteiro era incivilizado. Afinal, ninguém usava papel higiênico. Talvez papiro higiênico, mas é melhor não falar sobre isso. Depois vieram todos os tipos de classificações que se possa imaginar. Vanguardistas e conservadores. Destros e canhotos (os ambidestros correm por fora). Esquerdistas, direitistas e o Maluf. Homem-que-gosta-de-mulher, homem-que-gosta-de-homem, mulher-que-gosta-de-homem, mulher-que-gosta-de-mulher, o-que-vier-está-valendo e hoje-não-querido. Com açúcar e com adoçante. Histérico-depressivas e depressivo-histéricas. Gentlemen e zagueiros argentinos. São todas classificações imprecisas, incompletas. Desde os primeiros filósofos, as tentativas de categorizar o homem nunca alcançaram a perfeição. Nunca conseguimos usar um método único para saber como é uma pessoa, mesmo que “pilantra” ou “deputado” tenha um significado muito especÃfico em nossas cabeças. Até, claro, a invenção das videolocadoras. Engana-se quem pensa que uma videolocadora é simplesmente um comércio de entretenimento fácil. É muito mais do que isso. Cada videolocadora carrega, em seus inumeráveis tÃtulos, uma divisão criteriosa da natureza humana. Tendo o Kevin Bacon na capa ou não, todos os aspectos humanos estão lá. Drama, aventura, suspense. Comédia-romântica, comédia-pastelão, comédia-comédia, comédia-terror. Terror. Sexo. Sexo grupal, anal, animal. Ficção cientÃfica. Infantis. Policiais. Filmes-cabeça. Filmes-para-cabeçudos. O último filme do Marlon Brando, e o primeiro da Carla Perez. Não há maior questão existencial do que a escolha do filme para assistir em casa em um fim de semana chuvoso. É isso que, no final das contas, define e classifica o ser humano. Sua escolha na locadora define você, e não há como trocar por um filme menos violento, nem devolvê-lo depois das oito da noite. Isto tudo está muito claro na cabeça da Daiana Leila, a Dalê, atordoada pelo que ela descobriu de seu noivo na videolocadora: – Não acredito, Daijo. Você pensa que eu sou uma dessas? |
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Paulo 11-10-2001 07:02
Hehehehe… como te falei antes,Volpa,essa crônica é um golaço!! Mandou muito bem!! |
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Murilo Boudakian Moyses 11-10-2001 07:03
Isso Volponi! Gostei muito da crônica, especialmente do final, hehe |
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Anninha 11-10-2001 07:03
Volp, desculpas aceitas só pq já passei por lá! Uma boa saÃda seria, quem sabe, escrever sobre o dito TCC e sua confecção… |
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Ricardo 11-10-2001 07:03
Agora lembrei pq eu tava con saudade das suas cronicas! hehehe |
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Leopoldo 11-10-2001 07:04
O filme da Carla Perez entra na categoria “terror”, “comédia” ou “drama”? |
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Renata 11-10-2001 07:04
Volpa, |
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Paulo Roberto Vasconcelos 11-10-2001 07:04
Eu concordo: filme iraniano é obsceno. A censura devia ser de 18 anos no mÃnimo. Agora, eu discordo que todas as definições sejam imprecisas, a do “zagueiro argentino”, por exemplo, é perfeita. Outra coisa: vc esqueceu de me pedir desculpas, afinal eu sou o quarto leitor. De resto, nenhuma novidade, suas crônicas continuam excelentes. |
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Paulo Roberto Vasconcelos 11-10-2001 07:05
Ei, eu fiz um comentário e ele sumiu! |
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Paulo Roberto Vasconcelos 11-10-2001 07:05
concordo. filme iraniano é uma obscenidade. |
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Jacaré - link - guilhermepita@hotmail.com 19-10-2001 09:39
Muito legal. No final das contas, o homem só categoriza por preguiça. É mais fácil agrupar e dizer “isso aqui é tudo igual” do que tratar cada coisa dentro da sua particularidade. |
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Dani - link 11-12-2001 01:48
Categoria do Volponi: Cronista preguiçoso feladaputa que usa o tcc de muleta pra não atualizar essa porra de crônica. |