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Estou Sufocado - (12-12-2001) Estou sufocado. Deixem-me sair! Deixem-me sair! Inútil. Meus gritos sofridos são o deleite diário daqueles que pensam que cuidam de mim. Sádicos! Minha angústia sangra mais por compartilhar do mesmo ar que os felizes gorjeadores, livres para cantar. Não posso conhecer o perfume das flores, antes nunca tivesse me encantado com as melissas no jardim. Um céu inebriantemente azul me convida a ir até onde moram os deuses. Nos meus olhos, reluz uma centelha de esperança, tento escapar. Nada. Consigo o mesmo insucesso de antes. Desisto. Como um tiro no peito, a tristeza retorna. Um quarto fechado seria o melhor lugar para viver, sem janelas, sem flores, nem cores. Somente a penumbra realçando o meu olhar. Não quero mais nada, deixem-me em paz. Chega a noite. O mundo colorido que antes me angustiava agora me amedronta. Ruídos intermitentes pululam na multidão de silvos longínquos. Tudo parece viver misteriosamente à minha volta. Pressinto perigo. Quero me esconder, mas sinto-me atado. Vejo dois olhos, tal diamantes, vindo em minha direção. Encolhido, tremo calado. Tais olhos se aproximam, fixando-se em mim. Ironia da vida, agora parece-me frágil a prisão que outrora me encarcerava rigidamente. Meu coração vibra mais e mais. Um salto certeiro atinge a gaiola na velocidade de um miado. Socorro! Socorro! Tudo a girar no chão. Gritos e solavancos me atordoam. Num golpe, a portinhola se abre, e, confuso, salto para as estrelas, sem voltar o olhar para meu famigerado salvador. Vôo casas, vôo várzeas, vôo ventos. A noite inteira em debandada não me sacia, quero livrar-me eternamente das grades que me uniam às tormentas. Paro e olho à minha volta, já nada me reconhece. Saberei viver livre? Novamente a vida inquieta-me o peito, será o meu destino sempre de frustrações? Não, não permita, diz-me a aurora que não se apressa em chegar. Procuro por minha salvação. No meio do orvalho, a neblina esconde um aroma sereno e desconhecido. Adentro e, ao longe, vislumbro as cores que permeavam meus sonhos. No bater de um coração, vôo atrás de todas as flores que jamais imaginara. Súbito, deparo-me com alguém. Recuo. Não! Jamais viverei trancado outra vez. Mas meu protestos não interferem na placidez do olhar do outro. Ao contrário, agora parece-me sorrir. A amizade dos seus gestos me convida a aconchegar. Sim! Sim! Estende-me tua mão! A paz afaga-me como a um filho, e tranqüiliza minha alma. Já não sinto medo, amigo dos pássaros, pois encontrei a alegria no jardim dos teus tecidos. Finalmente sou feliz. |
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Anninha - apschs@uol.com.br 12-12-2001 05:21
Volps, ainda não li e, pra variar, estou correndo… só queria dizer: seja benvindo de volta! |
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renato Cabral – o ruminante - link - rcabrau@bol.com.br 12-12-2001 11:04
Meu caro, acabou de arrumar mais um leitor… agora são 4! Um abraço aqui do interior com pão de queijo, guaraná mineiro 180ml e paçoquinha – duas – pois ajuda na criação e na procriação! |
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Anninha - apschs@uol.com.br 13-12-2001 08:38
Não há mto o que dizer, apenas MARAVILHA PURA! E, mesmo frágil, aflito, temerante e finalmente libertador, simplesmente imortal! |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 13-12-2001 09:48
De quem vc está falando, do pássaro ou de você mesmo? |
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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br 13-12-2001 09:52
Olha, era do pássaro… mas, pensando nos acontecimentos recentes, acho que serviria perfeitamente pra mim… heheeheh…. |
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Anninha - apschs@uol.com.br 13-12-2001 11:17
É complicado… |
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Dani - link 14-12-2001 09:30
Volpa, demorou, mas valeu. |
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Zé - link 02-11-2007 06:49
Belíssimo. Preciso continuar lendo seu arquivo! |