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Monografia, monotonia e outras manias - (18-12-2001) Trabalho de conclusão de curso, trabalho de graduação individual, PGE. Enfim, monografia. A experiência nos diz que tudo o que leva nome pomposo fatalmente esconde algo terrível. Exame de densidade de hemácias, por exemplo (que ninguém sabe o que é, mas que eu só faria sob recomendação de um médico muito, muito forte e que ameaçasse o perfeito alinhamento dos meus olhos). Como se sabe, o trabalho final surgiu nas primeiras universidades européias, no fim da Idade Média, só para sacanear os alunos. Não poderia ser diferente, afinal, a Idade Média é o período de maior sadismo da história, em que foram inventados a vassalagem e o cinto de castidade. Ou você acha que uma monografia serve realmente para alguma coisa? A única função de uma monografia, óbvio, é fazer pressão psicológica sobre o estudante. Ainda por cima (sacanas!), querem que o coitado faça uma apresentação a um pelotão de fuzilamento, quer dizer, a uma banca. E que tenha uma encadernação bonitinha, senão… Um monógrafo é um ser diferente do resto da humanidade. Todas as demais pessoas têm interesses, vontades, alegrias, decepções, contatos, dores, etcéteras. Mas um monógrafo só tem o seu TCC. Nada mais. Um único tema preenche toda a sua pobre existência: - E aí, cara, terminou sua monografia? Ou então: Felizmente, é muito fácil identificar alguém assim e se livrar de sua monotonia. Na primeira citação das expressões “meu trabalho final”, “orientador” e “banca”, pule fora. Ou você entrará no mundo monotemático do monógrafo. - Oi, tudo bem? Monografias causam problemas graves ao cérebro desses pobres estudantes. Seus neurônios formam sinapses que nunca mais serão apagadas, e o monógrafo continua em um mundo rodeado por referências bibliográficas, transparências impressas de última hora, e pessoas que foram esquecidas nos agradecimentos. Alguns deles se curam magicamente, logo após a colação de grau. Outros, entretanto, mantêm as conseqüências dessa monotonia durante muito tempo, e (absurdo!) chegam até a escrever crônicas sobre o assunto. Lastimável, realmente lastimável. |
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Paulo - paulocoelho@cronistasreunidos.com.br 19-12-2001 07:33
Senti um certo tom autobiográfico…. |
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Murilo Boudakian Moyses - link - mumoyses@hotmail.com 19-12-2001 08:33
Volponi. Você escreveu, certamente, o melhor relato sobre o que é fazer uma monografia. |
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Ricardo - ricardo@cronistasreunidos.com.br 19-12-2001 11:55
Poxa Volpa ! |
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Renata - renata.natacci@jwt.com 20-12-2001 04:34
Volpa, Cara, acho que você conseguiu traduzir todo o… desconforto de fazer esses malditos trabalhos. Me identifiquei várias. Bom, tudo bem, no meu caso eu… verti algumas lágrimas, sim. (Mulherzinha!) |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 08-01-2002 01:49
Monografia é que nem monogamia. É difícil se acostumar. Mas quando se pega o jeito, dá até vontade de fazer um mestrado. Aliás, não sei do que vc está reclamando, eu assisti o a apresentação do seu trabalho e a banca foi só elogios. Ah! Eu também gostei. Mas estava com um pouco de sono pra fazer comentários no dia. |
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Zé - link 02-11-2007 06:59
Muito bom, Volpa, mas você não indicou as referências bibliográficas dessa crônica. |