CineMarx

Enfim, no meio da floresta equatorial colombiana, as FARC abriram um cinema para a população. Não é um cinema comum, não. É o CineMarx, baseado nas redes de cinema internacionais que pululam pelo mundo, inclusive São Paulo. Mas, ao invés de tentar explorar ao máximo o dinheiro do telespectador com qualquer coisa sendo colocada em cartaz, aqui há uma proposta diferente.

Primeiro: nenhum filme hollywoodiano será exibido. Nunca. Isto significa que os colombianos dominados pelas Farc não terão o prazer de assistir a Armaggedon, Independence Day ou Pânico 5. Nem Blues Brothers 2000. Pokémon 2, então, nem pensar. No lugar, serão exibidos filmes sobre Trotsky, Lênin, Stálin (para polemizar um pouco), além de especiais sobre as discussões do Karlito. Sim, é Karlito com “k”. Não tem nada a ver com Chaplin, mas sim com uma forma carinhosa de chamar o patrono do cinema.

Certa vez, um miguelito chamado Miguel foi, inadvertidamente, assistir a “O Revolucionário do Futuro”, pensando que se tratava de mais alguma produção com o Stallone e a Sandra Bullock. Apesar da frustração inicial, ele saiu do cinema muito impressionado com as possibilidades utópicas da implantação da Quarta Internacional. E nem ouviu Backstreet Boys naquele dia.

Filmes pornográficos também não estarão na programação, apesar de haver relatos de certos FARCanos que ficaram extremamente excitados ao ver um trio de barbudos usando aquele ridículo chapéu russo. As fontes não quiseram divulgar seus nomes.

Segundo: cocacola, pipoca com manteiga e mcDonalds estão abolidos. O telespectador que tentar entrar no cinema portanto algum desses produtos será imediatamente conduzido para fora, numa ala especial, onde será julgado por traição dos valores marxistas. Para comer, haverá um mutirão, em que cada um ajudará na preparação de alimentos regionalmente produzidos. Tudo simulando uma cooperativa, inspirada nos esquemas de assentamentos sem-terra brasileiros. Só que sem capangas de fazendeiros para distribuir balas. Balas, só de folhas de coca. No lugar da pipoca, snacks de mandioca assada. Snacks não, tortillas. No lugar da cocacola, refresco de limão. E, em vez de McDonalds, nada, que por lá ninguém é louco.

Terceiro: O ingresso será de graça, por motivos óbvios, e cada morador terá direito a assistir 1,33 filmes por semana. Só há um detalhe muito importante. Os ingressos não são transferíveis.

Uma curiosidade: por um estranho costume, somente metade dos assentos da sala serão ocupados. Todas as cadeiras do lado direito foram removidas, já que ninguém queria se sentar nelas. E, segundo informações, o pessoal que senta na extrema esquerda olha cada vez mais preocupada pro pessoal do meião.

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6 Comentários on "CineMarx"

  • célia diz

    o texto apresentado mostra a verdadeira piada disfarçada em história.

  • Rafael diz

    Demorou, mas veio. Existe um pequeno problema: quem era do meio ficou na direita e agora vão querer arrancar mais assentos até que não sobre mais nenhum e todos fiquem de pé, hehehe muito legal.

  • Ricardo diz

    muito boa volpa ! (acho que esse texto teve influência do nosso papo lá no Jôquei … hehehe. Nada como uma balada de cronistas para inspirar a galera!

  • Maurícião, assim me chamam diz

    Acho que pra dar umas gargalhadas e ainda continuar na mesma linha de conduta, o CineMarx da FARC podia apresentar o filme de Roberto Benigni, A vida é bela. É obvio que o final do filme deve ser mudado..

  • Maurícião, assim me chamam diz

    Rodrigão,

    acabei de queimar minha carteirinha da UNE. Agora, cinema só no CineMarx da FARC. Lá é de graça.

  • paulo diz

    É, esse pessoal do meião é perigoso! Logo, logo, vão querer se aliar ao PFL. Abaixo o meião! Abaixo o meião! Abaixo o meião! Abaixo o meião!

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