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Manual do franco-atirador - (19-09-2002) VerÃssimo já escreveu sobre o falso entendido que só fala jargões ininteligÃveis (”isso é problema do hedge overnight”). Também sobre aquele que parece ter informações privilegiadas (”isso é o que você pensa”), mas que no fundo não sabe nada. Já se falou até daquele metido a historiador (”o preço da batata pode ser explicado pela minha teoria da insuficiência renal de D. Pedro I”). Nunca ninguém falou sobre o franco-atirador. Mas eles já têm até um manual de conduta. Primeiro: um franco-atirador não pode ter medos. Frescura não faz parte do seu vocabulário. Indecisão, tatibitate? Fora. Um bom franco-atirador sabe o momento certo de disparar o seu petardo, independente da situação: - Essa cara morreu foi de nevralgia. Percebe os olhos? Não, não estamos falando aqui de um daqueles malucos que saem atirando contra qualquer um nas guerras civis. Não é a mesma coisa, mas é parecido. Os alvos são iguais. Os motivos, idem. E quero ver alguém provar que um tiro de escopeta é mais perigoso que um palpite bem aplicado: - Isso eu lembro da época da faculdade. É só igualar o “x”. Dá certo. Segundo: o que importa é passar uma informação de forma consciente, verossÃmil e, acima de tudo, defensável. Não precisa ser verdade. Mas o franco-atirador deve acreditar naquilo que atira, mesmo que a capital da Turquia seja Ancara: - A capital da Turquia? É fácil: Istambul, que meu professor de história insistia em chamar de Constantinopla. Terceiro: um franco-atirador não pode deixar dúvidas sobre a qualidade de seu tiro. Deve-se embasar cientificamente tudo aquilo o que se atira. Ou quase embasar, o que dá no mesmo: - Corredor? Vem de co-rredor. Se você prestar atenção, vai perceber que tudo o que tem “co” significa “junto de”, “a par de”, por exemplo, colateral, co-responsabilidade. Já “redor” se aproxima do inglês “ride”, que significa nada mais nada menos que “correr”. Então, no fundo, um corredor é alguém que “ride” junto com outras pessoas. Certo? Portanto, um co-rredor. Entendeu? É etimológico. Quarto: o franco-atirador deve estar preparado quando o tiro errar o alvo. No caso improvável de ser pego atirando pro lado errado, a retaguarda deve estar sempre protegida: - Ah, mas eu sabia que a data final de entrega terminava com 4… pelo menos, isso, né? Quinto: só em último caso, deve-se tentar o chute. Mas o bom franco-atirador sabe o quanto isso é arriscado. É o fim: - Sabia que você dança muito bem? |
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Rafael - rafael@wg.com.br 18-09-2002 07:51
Demorou mas ficou boa. Nem imaginava que você já tivesse pensado em algo parecido….. hehehe. Tem praticado? |
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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br 18-09-2002 08:11
Não, claro que não! Eu achei esse manual jogado na rua, comecei a ler e pensei: será que não dá uma crônica? As pessoas devem conhecer a realidade do que acontece por aÃ. Ou não. |
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Leopoldo - leopoldo@cronistasreunidos.com.br 18-09-2002 09:51
Xiii O Volps já começou dar uma de Franco Atirador de novo… |
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Ricardo Alter - ricardob@fox.com 19-09-2002 03:46
Ancara é a capital da Argélia. Os dois começam e terminam com A, já que na lingua deles o feminino, masculino e plural terminam com A. Que é o Ãcne da igreja argelina. Óbvio!!! |
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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br 19-09-2002 08:42
PeraÃ, em ação? Você conhece algum franco-atirador? Du-vi-do! Isso não existe. |
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Ricardo - ricardo@cronistasreunidos.com.br 20-09-2002 02:37
TROPA DE ELITE OSSO DURO DE ROER !!!! hehehe |
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Sérgio - ssilva@hotmail.com 24-09-2002 04:26
Eu conheço um franco-atirador. Ele até foi no Fica Comigo e colocou botou a Fernanda Lima da defesa. Sim, é ele, o Gabão. Um franco-atirador, definitivamente, roots. |
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Barbara - babi_reis@zipmail.com.br 30-09-2002 05:54
Volponi, por sua causa passei muita vergonha… eu dei tanta risada que o pessoal do meu lado achou que eu estava louca! Fiquei inspirada a voltar a escrever. |
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FrinÃcio Barros - mefuso@bol.com.br 16-10-2002 07:05
Primeiro: você tirou teu nome de uma peça de teatro, creio eu. Posso estar enganado. Segundo: cronistas criam seus próprios estilos. Eu sei que é difÃcil não cair na tentação de fazer um diálogo ao modo Verissimo, mas você não deve fazer tudo que ele faz. A crônica ficou boa, só que eu acho que você deixou muito forçado o diálogo, deixando ele menos engraçado do que poderia ser. Valeu! |
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Ricardo - ricardo@cronistasreunidos.com.br 17-10-2002 06:55
Caro FrinÃcio, |
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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br 17-10-2002 08:25
Olá FrinÃcio, Sim, há uma peça do século XVII chamada “Volpone ou A Raposa” de Ben Johnson, muito conhecida. Adhemar Guerra também criou uma peça chamada “Correu Sangue na Estréia de Volpone”, que contava a história dos bastidores do TBC. Teatro, teatro, teatro. Só que você não sabe do pior: meu irmão se chama PlÃnio Marcos Volponi. Detalhe: meus pais não sabiam de nada disso. Sobre a crônica, obrigado pelos comentários. Realmente, é difÃcil resistir à tentação de imitar o LFV, ainda mais quando um texto começa fazendo referência a ele. E ah… diálogos exagerados? Nãaaaaao. Eu nunca fiz nada disso… :-P Abraços! |
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Ricardo - ricardo@cronistasreunidos.com.br 17-10-2002 08:57
Ben Johnson não é aquele negão canadense que quebrou o recorde dos 100 mts rasos na OlimpÃada de Seoul, 1988 ? É … foi ele mesmo, só que pegaram o doping … Lei de Murphy, Eddy Murphy … |
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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br 17-10-2002 09:15
Pois é. Parece piada, mas o nome é esse mesmo. Aliás, devem ter 9384539485798 zilhões de Ben Johnsons no mundo. Por que não pode ter um dramaturgo? :-P |
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Jacaré - guilhermepita@hotmail.com 22-10-2002 02:36
Volponi, você é o sniper de Washington? |