Estive em São Paulo

Estive em São Paulo. Dos prédios, dos monumentos, dos prédios, dos oceanos de sobrados, dos prédios, dos túneis do Maluf, dos prédios, do Viaduto do Chá, do Itália, do Martinelli, do Joelma, do Copam, da Central do Metrô, da Beneficência Portuguesa, de Congonhas, dos Birmanns.

Estive em São Paulo. Da fumaça preta dos caminhões, do cinza dos amontoados das construções, do azedume mórbido do Tietê, das pichações nas fachadas, nas frutas podres do lado de fora e dos vitrais perfumados do lado de dentro do Mercado Municipal, do verde molhado da Praça da Paz.

Estive em São Paulo. Das pessoas que não se olham no Metrô, das pessoas que não se vêem na República, das meninas que fitam os carros na Augusta, dos mesmos acidentes recorrentes na Marginal Pinheiros, do palhaço malabarista passando o chapéu na esquina da av. Brasil, das crianças fazendo o mesmo em todas as outras esquinas, dos policiais descendo da viatura em movimento com gestos intimidadores, da extorsão dos flanelinhas, da violência velada e da violência escancarada do dia-a-dia.

Estive em São Paulo. Das costelas vermelhas do MASP, do silêncio do MAC, da corcunda alva da Oca, dos gritos de guerra da Gaviões da Fiel no Pacaembu, dos comentários-cabeça na saída do Unibanco, das crianças da Sala Disney, do bar charmoso do CineSesc?, das filas para conseguir ingresso nas mostras de cinema, dos domingos preguiçosos no Ibirapuera, da decadência do Cultura Artística, das experiências do Labotarório da EAD, dos blues nas salas subterrâneas do Centro Cultural.

Estive em São Paulo. Dos chopes do Original, do groove do Grazie A Dio, do cachorro-quente gigante atrás da USP, das calçadas do Democrata, dos pastéis do Filial, dos sofás coloridos da Lov.e, da salada do Cacilda, das rãs do Dona Felicidade, das empanadas de onde todo mundo sabe, do burburinho do Olímpia, dos nachos do El Kabong, das patricinhas da Marcenaria, dos milk-shakes do Joakin’s, das tardes praianas do Jacaré, dos rodopios do Conexión Caribe, das madrugadas no Fran’s Café.

Estive em São Paulo. Das discussões políticas, dos grandes cardeais, do movimento modernista, do DOPS, das empresas de tecnologia, das pesquisas de opinião, dos outdoors gigantes, da mescla de culturas por vezes tão falaciosa, dos núcleos de estudos sociais, dos homens-sanduíche, do movimento hip-hop, do movimento punk, do movimento ambientalista, do movimento do carnaval, do movimento, do movimento.

Estive em São Paulo. Um dia, talvez, São Paulo esteja em mim.

Compartilhe!

8 Comentários on "Estive em São Paulo"

  • Ricardo diz

    Muito bacana Mamute! Talvez pelo estilo de vida próximo, a identificação com o texto foi total. Quem sabe o texto não vire um retrato da nova geração de Cronistas paulistanos ? hehe

    É isso aí, vamo que vamo!

  • Rafa diz

    Como eu falei, você deveria ter mandado pro concurso, só pra ver a repercursão, pra dizer o mínimo. Achei a solução da descrição da cidade muito bacana. Eu adoro esse lance da reiteração crônica. Parabéns carinha. Constância nos textos faz de nós melhores escritores, a não ser quando a preguiça vence, rs*

  • eh isso ai meu fio…tava demorando..mas valew a pena…muito boa volps!!!

    bjunda

  • muito bonito este texto novo.

    principalmente porque eu não estou em SP, mas SP está em mim :)

  • Monica diz

    Que saudade de São Paulo!

    Adorei!

    Monica

  • Ellen diz

    Muito bom como sempre. Volp, vc não acha que está na hora de escrever mais crônicas? Estou ansiosa pra lê-las.

  • anninha diz

    pois é! vc esteve belamente em SP, mas depois nunca mais, né?!

    cadê vc????

    bjin.

  • julia diz

    São Paulo, minha cidade maravilhosa, como eu amo sp, e essa cidade está em mim constantemente…que saudade, você ia descrevendo e eu ia lembrando de tudo cada prédio cada monumento…um dia eu vouto p/ minha terra lugar de paulista é em São Paulo…

    bjoks

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *