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O Dilema da Completude - (27-10-2007) Esta é uma crônica escrita com 4 anos de separação entre o inÃcio e o fim. Acho que fica mais honesto separar as duas partes. Vamos lá. Abril de 2003 Desculpem-me os três leitores de minhas crônicas. Este não é um texto engraçado. Não é surpreendente. Não é tocante. Nada disso. É só filosofia barata. Pelo menos, é de graça. Ao contrário de uns livros de auto-ajuda que existem por aÃ. Responda: quantas coisas diferentes você quer, agora? Não, não é só materialmente. Que tipo de objetivos você almeja? Quais são as coisas que quer comprar? Qual o nÃvel de bem-estar que você procura? Você até pode categorizar tudo numa pirâmide de Maslow, fique à vontade. Você vai encontrar mais coisas do que imaginava. Movemos nossas vidas numa busca frenética. Busca por dinheiro, busca por realização pessoal, busca por carinho, buscas buscas buscas. Tantas buscas que cada realização é minimizada pela enxurrada de ausências. Insatisfação geral. Mas nada parece mais desolador do que a completude. Certas vezes essa busca é muito custosa, em todos os sentidos. E, depois de muito esforço, acabamos por atingir nosso objetivo. Aà vem o dilema: a “grande” busca chegou ao fim. E agora? Angústia, depressão. Não deveria ser diferente? Porque ficamos eufóricos num primeiro momento, desolados no átimo seguinte ao de uma grande conquista? A completude é um dilema. Outubro de 2007 Ouvi um psicólogo falando justamente sobre isso dia desses, e me lembrei desta crônica não-finalizada. O foco não era exatamente a completude, mas sim o medo da felicidade. Tem a ver. Ser feliz dá medo? Ser um pouco infeliz, todo o tempo, é mais confortável do que encarar nossos desejos? Agora vem a filosofia barata. Eu avisei que havia, não falei? E você nem vai precisar comprar o livro. Somos incompletos. Somos incessantes nos nossos desejos, sonhos e metas. Mas há felicidades diferentes. Dois tipos, pra simplificar: felicidades aristocráticas e felicidades democráticas. Beleza, dinheiro, fama, conquistas raras. Ou amor, auto-consciência, identidade, caráter. Uma tem só pra poucos, outro tem pra muitos. Pronto. A conclusão lógica desse arrazoado rasteiro é, obviamente, algo como o “socialismo da felicidade”. Busque as felicidades democráticas, deixe as aristocráticas pra lá. Tá certo, ajuda. Mas não resolve nada a respeito da completude. Talvez a única solução pra completude é deixar as coisas assim mesmo, inacabadas. Certas coisas te completam por um certo tempo, certas coisas te deixam um buracão para observar. Paciência. O jeito é publicar logo sua crônica, mesmo sem terminar direito. Senão, lá se vão mais 4 anos com isso aqui sem terminar. |
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