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A roça não é o bastante - Episódio 1 - (09-03-2007) Segunda-feira em Piracicaba. O agente Zero-Zero-Zé está tirando férias merecidas em sua residência de campo – por sinal, a única que ele tem. Uma hora e meia depois de abrir os olhos, ele finalmente acorda quando escuta o locutor da rádio Difusora ler o seguinte epitáfio: “Otávio Assis Moura deixou ontem o mundo da arte. Não voltará, porque morreu. Tavinho, como era conhecido, foi vítima de complicações decorrentes de embolia, diabetes, câncer de pulmão, cirrose e dois tiros na testa. Para os amantes da música instrumental brasileira, o lendário saxofonista foi o maior de todos. Seu colega de noite e de profissão Zeca do Trombone havia dito dele: ‘Tem o que todo mundo faz. Tem o que ninguém faz. E tem o que o Tavinho faz’. Venerado no meio, também era apreciado à direita e à esquerda. O produtor de discos Carvalhosa, da tradicional casa Odeon, declarou que sentirá sua falta: ‘Nunca mais vou ganhar de alguém no pôquer com tanta facilidade’. Foi um enterro de caixão lacrado para aquele que tocava de olhos fechados – um mortal que será lembrado pelos sucessos que eternizou. Enquanto a banda tocava ‘Fim de noite’, muitas pessoas acompanharam os derradeiros compassos de Tavinho na Terra. A primeira ex-mulher, Soraia, e a segunda, Marlete, permaneceram caladas e impassíveis durante toda a cerimônia e se recusaram a dar entrevistas. A terceira, Daniéli, chegou na hora em que o caixão ia começar a ser baixado. Estava em prantos, vestida com roupas claras como quem vai à feira, e jogou na cova um buquê já murcho há muito tempo, deixando o local tão rápido quanto entrou. Um golpe de teatro final para concluir a trajetória de um homem que viveu e morreu no palco. Agora, é só uma pausa com fermata.” Abalado com a notícia, 00Zé se lembra de que precisa regar sua samambaia. Vai para a varanda, espreguiça-se e contempla os pés de goiaba. Pega a mangueira e começa a encher o regador. Nisso, toca o telefone. “Alô”, faz o espião. “Blblblblblbl”, faz a mangueira na sua orelha. “Trimmm!”, insiste a campainha. Ele bota então a mangueira de lado, enxuga-se com a camisa do pijama e retorna à sala para procurar o telefone. - 00Zé, aqui é M. Para 00Zé, imediatamente é imediatamente. Assim, depois de desligar o telefone, pentear os cabelos, fazer a barba, cortar as unhas, lustrar as botinas, provar uma caninha, saborear uma galinha assada, palitar os dentes e tirar um cochilo de cinco horas, nosso herói chega a Pirassununga no final do dia, montado no dorso da sua companheira de aventuras, a vaca Mimosa. - Deiz Merréis, meu docinho, cadê o M? Deiz Merréis, a secretária de M, entrega ao nosso agente um envelope contendo os bilhetes para a viagem. 00Zé despede-se dela com o costumeiro beliscão na bunda (trejeito que fez sua fama de galanteador), e depois procura um lugar onde a Mimosa poderá aguardar seu retorno em segurança, aninhada num monte de capim. - Que trem é esse?, exclama Q, o velho projetista, cuja inicial significa exatamente “Que trem é esse?”. Ele não é o único. Naquela noite, um ônibus azul e prata da Viação Cometa carrega no seu bojo um outro astro, o internacionalmente desconhecido 00Zé, luminar da espionagem interiorana, partindo pela primeira vez em direção à capital. |
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van 09-03-2007 07:11
Adorei o Dábo-Dábo-Éfi. Só faltou o grinpissi… |
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Zé - link 15-03-2007 05:08
Acredita que na Suíça eu conheço uma fazenda que pendurou na entrada uma placa onde está escrito: “Proibida a entrada aos membros do WWF”? |