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A roça não é o bastante – Episódio 5 - (05-04-2007) Sexta-feira, dia de descuido, deboche e diversão. Contudo, o lazer de uns é o trabalho de outros. 00Zé percorre um dos bairros quentes de São Paulo, mas não à caça de excitações fugazes. Ele procura o cantor Tony Truante, que se apresenta numa boate da rua Nestor Pestana. O agente internacionalmente desconhecido entra na padaria Estrela d’Alva para perguntar o caminho. Detrás do balcão, o Manoel ajeita o lápis atrás da orelha e lhe responde: - Ora poich, sabes a rua Frei Caneca? Então, não é lá. Entras na paralela, a rua Augusta. Vais em frente até chegar ao cruzamento com a rua Caio Prado, onde há uma estação de serviço. Não é lá. Desces mais um bocadinho, e verás um cabaré com uma torre falsa a imitar um relógio, que se chama Big Ben. Poich, não é lá. Aí, atravessas o viaduto e dobras à esquerda. Seguindo as indicações, 00Zé caminha enquanto mastiga um sonho, uma paçoca e uma rapadura, até que encontra a rua e a boate. A porta está entreaberta, um funcionário está lavando a calçada, lá dentro outro está desempilhando cadeiras. Sofás pretos e lustres dourados refletem nas paredes cobertas de espelhos. Tony Truante está ensaiando no palco, junto ao pianista, enquanto técnicos ajustam as luzes. Ao avistar o chapéu de palha, reconhece o tira que ligou para ele. Decreta quinze minutos de intervalo e vai falar com 00Zé num canto do bar. - O Tavinho andava vacilando, tava malzaço. Mas não merecia um fim escroto desses. Quando morreu, tava tocando numa casa noturna do Largo do Arouche, fim da linha, ele que já tinha lotado o Tom Brasil, feito temporada no Rio, se apresentado em Montreux e tudo mais. Como sempre, tava de olhos fechados, era a onda dele, entrega total, não precisava nem queria ver nada. A música era o refúgio dele, saca? Também, com aquelas bruxas pegando no pé dele pra pagar pensão, e aquele produtor espremendo ele pra pagar as dívidas de jogo, tudo contrato leonino, topava tudo que era trampo e não sobrava nada pra ele, isso vai corroendo o cara. Até arranjou uma amante para agüentar a barra, mas nem isso mais adiantava. Ele tava se acabando aos poucos, o desgraçado só fez dar o empurrão final. Já de saída, 00Zé lembra-se que Tony mencionou a amante de Tavinho. - Ah, você quer ver a Tetê?, pergunta o cantor, com um sorriso ao mesmo tempo maroto e incrédulo. Melhor você ir armado, ele adverte. Soltando a célebre risada tonitruante que lhe deu o nome artístico, o cantor faz estalar na palma da mão de 00Zé um pacote de camisinhas sabor menta, e retorna ao seu ensaio. Nosso espião vê na embalagem um desenho sensual e os seguintes dizeres: “Tetê, a mulher de três tetas, espera você”, acompanhados de um endereço. Ainda com os olhos arregalados depois dessa descoberta biológica inusitada, 00Zé liga para M e relata o encontro com o cantor. - Então, Zero-Zero? Já descobriu alguma coisa? |
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