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A roça não é o bastante – Episódio 6 - (12-04-2007) Sábado. Então, TT não é Tony Truante, e sim a tal de Tetê, a mulher de três tetas. A ex-amante de Tavinho é dançarina da noite. 00Zé vai à procura dela num bordel da avenida São João. Na calçada, ele desvia com dificuldade dos ajudantes de proxeneta que tentam atrair os passantes incautos: “Aê, jovem, vamos ver as moças?”, “Tenho duas irmãs aqui dentro, pode tirar foto se quiser.” Ele chega no número correspondente, onde o letreiro de neon diz “Styllu’s”. Oculto pela nuvem de fumaça espessa, ele atravessa o salão lotado de mulheres seminuas e homens vestidos pela metade até chegar a uma entrada reservada, coberta por uma cortina carmesim e guardada por uma parelha de brutamontes. “A festa junina já passou, caipira”. “HAHAHAHA!” Ignorando os dois seres obtusos, 00Zé tira de baixo de seu chapéu de palha o pacote de camisinhas sabor menta que lhe foi dado por Tony Truante, aquele cuja embalagem traz impresso o convite para ver Tetê. Os leões-de-chácara se calam subitamente e a expressão de ambos se congela num misto de incredulidade e subserviência. Cabisbaixos, abrem a cortina e destrancam a porta que estava oculta, dando passagem ao agente. Nosso herói avança por um corredor estreito, recoberto de carpete preto e papel de parede em forma de losangos brancos e pretos, iluminado à meia-luz e pontuado por fotografias eróticas em preto e branco. No final do corredor, depara-se com uma porta dourada. E entra. Tetê está sentada de costas para a porta, penteando seus cabelos longos, negros e lisos diante do espelho, vestida com um peignoir de seda prateado, decorado com motivos chineses. Ao ouvir entrar o visitante, ela pergunta quem é, sem se virar. “Meu nome é Zé, Zero à Esquerrrda. Eu vim…”. Ela faz girar a poltrona, fica de frente para ele e se levanta com vagar. O peignoir desliza discretamente sobre seus ombros. 00Zé esquece o que ia dizer. Olha para ela uma primeira vez, uma segunda vez. - Vixe! Cadê a terceira? Nosso agente engasga quando compreende, com sua proverbial sagacidade, a verdadeira profissão de Tetê. - A senhora é mulherrr da vida? Agarrando-o com fúria, ela tira o palito da boca de 00Zé com sua própria boca, cospe-o de lado, e enterra o rosto do agente entre seus seios imensos, soltando um gemido de êxtase. Nesse momento, o narrador pára para tomar um café e, quando volta, Tetê e nosso espião estão imersos num ninho de almofadas cor-de-rosa em forma de coração. - Ai, meu lindão, assim você me mata mesmo… 00Zé não consegue identificar se a última frase continha tristeza ou alívio. Tetê se despede dele com um beijo nos lábios e um abraço demorado. “Não esquece seu celular, querido”. Depois de sair da Styllu’s, nosso herói caminha sob a luz amarelada dos postes da avenida São João, dobra à esquerda na avenida Ipiranga e liga para M. - Chefinho, descobri o segredo do tal de TT. Não era hómi, era muié, e ela fala que tem três, mas na verdade só tem duas. |
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